A Jerónimo Martins comprou o grupo Luís Vicente, que produz frutas e legumes, ao NuviGroup. O negócio foi anunciado esta terça-feira por esta holding internacional de investimentos, que além de Portugal tem negócios em Angola, e era até agora detentora da hortifrutícola de Torres Vedras. O valor do negócio não foi divulgado.

O Observador questionou a dona do Pingo Doce sobre o montante do investimento. Em resposta, a JM confirmou apenas a assinatura do acordo “para a aquisição da unidade dedicada ao setor hortofrutícola, operada pela Luís Vicente” e que “o negócio está sujeito à verificação de uma serie de condições, incluindo a não oposição da Autoridade da Concorrência”, não avançando, de momento, mais informação.

Em comunicado, o NuviGroup anuncia ter alcançado “um acordo para a venda da sua unidade dedicada ao setor hortifrutícola, operada pela Luís Vicente (LV) em Portugal, à Jerónimo Martins Agro (JMA), empresa do Grupo Jerónimo Martins especializada no setor agroalimentar”.

A Jerónimo Martins e a Luís Vicente têm, desde 2023, uma parceria no negócio da venda de frutas, a SupremeFruits, na qual a Jerónimo Martins aumentou este ano a sua participação de 50% para 80%. Esta joint venture produz frutos como mandarina, nectarina, pêssego e ameixa e teve um investimento inicial por parte da dona do Pingo Doce de sete milhões de euros.

A operação ainda está “sujeita a determinadas condições, nomeadamente a aprovação da Autoridade da Concorrência”, refere o comunicado. Estará garantida a manutenção integral dos postos de trabalho, além da continuidade da atividade da Luís Vicente.

O grupo Nuvi explica que a transação se enquadra numa estratégia em que pretende focar-se “nos negócios onde detém maior vantagem competitiva e potencial de crescimento: a indústria de bebidas (Grupo Refriango)”, uma empresa de bebidas em Angola, “e o retalho alimentar (Supermercados Arreiou)”.

O grupo diz estar numa fase de expansão internacional, que prevê, no caso da Refriango, a entrada em novos mercados e, no caso dos supermercados, “a duplicação da sua rede de retalho alimentar, de 200 para 400 lojas”. “Esta decisão reflete a nossa estratégia de reforçar o foco nas áreas onde o Nuvigroup tem maior vantagem competitiva e potencial de crescimento”, sublinha na mesma nota Diogo Caldas, administrador executivo do Nuvigroup.

O mesmo responsável diz que o grupo está “confiante” sobre o futuro da Luís Vicente que, “integrada na Jerónimo Martins Agro, a sua atividade continuará a trilhar um caminho de sucesso e crescimento, abrindo novas oportunidades para todos.”

(Notícia atualizada às 14h50 com a resposta da Jerónimo Martins)