Lisboa, a casa de umas, o palco da felicidade de outras. Depois de um início com o pé esquerdo no regresso à elite do futebol feminino europeu, com a derrota tardia em Turim, diante da Juventus (2-1), o Benfica regressou ao Estádio da Luz que, uma vez mais, recebe as principais equipas da Europa. Foi a pouco mais de dois quilómetros do anfiteatro vermelho e branco que, em maio, o Arsenal voltou a tocar o céu europeu e bateu o Barcelona na final da Liga dos Campeões feminina, conquistando o troféu no Estádio José Alvalade, a casa do Sporting (1-0). Agora, as condicionantes eram outras, mas a capital portuguesa voltou a engalanar-se para receber o primeiro jogo de sempre entre as pentacampeãs portuguesas e as vice-campeãs inglesas.

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No último fim de semana, o Benfica deslocou-se a casa do Valadares Gaia e somou mais uma goleada no palco em que comemorou a conquista do último Campeonato Nacional, mas a parte ficou marcada por inúmeros acontecimentos inusitados, como penáltis, golos anulados e lesões, com destaque para o traumatismo cranioencefálico sofrido por Nycole Raysla, depois de um choque de cabeça com Erin Seppi, e que a impossibilitou de estar no jogar frente às gunners. Assim, a avançada brasileira juntou-se a Ana Borges, Andrea Falcón, Andreia Norton e Marta Salvador no boletim clínico das inspiradoras, pelo que Ivan Baptista estava obrigado a mexer na frente de ataque. Cristina Martín-Prieto era a principal candidata ao onze inicial, depois de ter perdido a titularidade neste início de temporada.

“Não nos podemos esquecer que estamos a jogar em casa, da dimensão do clube que representamos e da responsabilidade que isso acarreta. Vamos encarar este jogo da mesma forma que encarámos um jogo fora contra a campeã italiana, que também era favorita, e disputámos o jogo até praticamente ao último minuto do encontro, se calhar contra muitas previsões. Vamos tentar fazê-lo na mesma moeda, na mesma tendência. Do ponto de vista anímico, não há muita coisa a fazer, felizmente. É daqueles jogos em que todas querem estar presentes e, do ponto de vista motivacional, não há muita coisa a fazer, é deixar o jogo chegar. Do ponto de vista estratégico, a nossa realidade, felizmente, é a de jogarmos de três em três dias. Também não temos uma margem muito grande de grandes adaptações. É tentarmos ser nós mesmos, agarrarmo-nos àquilo onde nos sentimos mais confortáveis, nunca esquecendo quem está do lado de lá e aquilo que serão as adversidades que uma equipa como o Arsenal nos irá tentar causar”, explicou o treinador na antevisão ao jogo.

Depois de duas vitórias no arranque da temporada, o Arsenal entrou numa série de quatro jogos sem vencer, com dois empates e duas derrotas — a última na receção ao OL Lyonnes (casa, 1-2) —, revertendo a tendência no último fim de semana, vencendo na receção ao Brighton (1-0). Para este jogo, Renée Slegers não contou com a capitã Leah Williamson. “Já joguei contra elas há alguns anos. São uma equipa muito agressiva e intensa de enfrentar. Têm uma presença psicológica, por assim dizer. Portanto, serão intensas também nesse aspeto. Acho que acreditam muito no que fazem. Vamos jogar num grande estádio, com público. Também teremos adeptos nossos a apoiar, o que é ótimo. Por isso, esperamos um jogo com muita intensidade — que queremos igualar e também impor – e queremos saber lidar com isso de forma positiva, criando controlo no jogo a nosso favor. Têm boas jogadoras em campo. Parecem disciplinadas e muito unidas em tudo o que fazem. Têm um fator de imprevisibilidade na forma como jogam ou como se organizam”, antecipou a treinadora neerlandesa.

Para o jogo desta quinta-feira, Ivan Baptista fez apenas uma alterações, com Carolina Tristão, de apenas 16 anos, a saltar para o onze inicial em detrimento de Nycole. Assim, Caroline Moller e Diana Silva voltar a jogar no ataque, com Anna Gasper, Beatriz Cameirão, Tristão e Lúcia Alves a atuarem no losango do meio-campo. Na defesa, Catarina Amado e Marit Lund ficaram com as laterais, com Christy Ucheibe e Diana Gomes no centro. A baliza ficou a cargo de Lena Pauels. Nas inglesas, Beth Mead, Alessia Russo e Mariona Caldentey jogaram no ataque, com Olivia Smith, antiga jogadora do Sporting, a integrar o onze no regresso a Portugal.

A partida começou com equilibrada, com as inspiradoras a tentarem assumir o jogo e a apostarem num futebol mais direto para o ataque. Por outro lado, as inglesas mostraram não ter pressa de construir as suas jogadas, pelo que as ocasiões de perigo escassearam ao longo da primeira parte, com Mead a alvejar a balizar num livre em zona frontal, mas o remate saiu por cima (18′). Pouco depois, em novo lance de bola parada, Lotte Wubben-Moy apareceu a concluir ao segundo poste, sozinha, mas o cabeceamento saiu ao lado (30′). Na resposta, Gasper cobrou um livre lateral para a área e, com um cabeceamento de cima para baixo, Diana Gomes obrigou Daphne van Domselaar a uma grande defesa (41′).

Sem novidades para a segunda parte, a toada manteve-se e, depois de muita confusão na área encarnada, um corte falhado por Diana Gomes acabou por resultar no golo inaugural, com Beth Mead ainda a desviar (57′). Já com Stina Blackstenius, Chloe Kelly, Chandra Davidson, Caitlin Foord e Cristina Martín-Prieto em campo, a presença da portentosa avançada voltou a colocar o Benfica no ataque, com a internacional espanhola a dividir os lances com as centrais adversárias. Para a reta final da partida, Baptista lançou Carissa Boeckmann, Lara Martins e Letícia Almeida, com Slegers a colocar em ação Laia Codina e Katie McCabe. Num lance de bola parada na esquerda, Kelly cobrou rasteiro para a área e, completamente sozinha, Alessia Russo encostou para o 0-2 (89′). Na resposta ao golo, as inspiradoras criaram perigo de bola parada, mas Ucheibe e Davidson não conseguiram finalizar (90+1′). Desta forma, as encarnadas somaram a segunda derrota na Champions (0-2).

[Apesar da euforia em torno de Freitas, Soares recupera. O debate com Zenha será decisivo. Quando acabar, nunca mais serão amigos. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]