O ex-dirigente do Chega Nuno Pardal ainda terá tentado, durante fase de instrução, que o processo pelos crimes de prostituição de menores fosse suspenso em troca de um pagamento de uma injunção e do cumprimento de regras que conduta que a juíza viesse a determinar, noticia o Expresso. Mas a proposta não foi aceite pelo tribunal, pelo Ministério Público, nem a família da vítima, e vai mesmo a julgamento, noticia o mesmo jornal. Após a publicação desta notícia, Nuno Pardal fez chegar ao Observador esta sexta-feira ao início da tarde uma declaração em que garante que, ao contrário do que fora publicado, nunca esteve “disponível a pagar para evitar o julgamento”.

O também antigo deputado municipal do Chega por Lisboa — que renunciou ao mandato em fevereiro deste ano — foi pronunciado por dois crimes de recurso a prostituição de menores (sendo um deles na forma tentada).

Segundo o Expresso, na última quinta-feira, o antigo dirigente terá confirmado perante o Tribunal de Instrução de Cascais ter tido um “ato sexual consentido” com a vítima, negando, porém, a existência de sexo oral. De acordo com a notícia, Nuno Pardal assumiu ainda ter dado 20 euros à vítima, para que o jovem fosse jantar com amigos — e não para pagar o ato sexual. E negou saber a idade da vítima: disse que julgava que era maior de idade.

Em declarações escritas ao Observador, Nuno Pardal apresenta outra versão e diz que em tribunal “negou categoricamente que tivesse havido qualquer ato sexual com a pessoa em questão”. Acrescentando que recebeu “com toda a normalidade e sem surpresa que o processo avançasse para julgamento”.

Dirigente do Chega acusado de prostituição de menores por relações sexuais com jovem de 15 anos

De acordo com o relatório da Polícia Judiciária citado pelo Expresso, o jovem não revelou a idade a Nuno Pardal enquanto falavam pelas redes sociais. No entanto, a partir da foto do perfil do WhatsApp “facilmente o arguido [Nuno Pardal] vislumbraria tratar-se de um menor de idade”, consideram as autoridades. E mencionam ainda que, numa viagem de carro, o antigo dirigente do Chega terá perguntado a idade ao jovem e ouvido como resposta “15”.

O antigo deputado municipal (que chegou a pertencer ao grupo de trabalho da Assembleia das Crianças de Lisboa) negou ainda ter tentado combinar um segundo encontro com o rapaz, mas, na acusação citada por aquele jornal, é apresentada uma mensagem em que Nuno Pardal afirma estar disposto “a pagar” para que esse reencontro acontecesse.

Face aos argumentos de Nuno Pardal e aos indícios conseguidos pela acusação, a juíza de instrução decidiu pronunciar o antigo dirigente do Chega, o que significa que vai responder em julgamento pelos crimes. Contactado pelo semanário, o seu advogado limitou-se a dizer que não fala do processo.

Notícia atualizada às 14h30 com declarações de Nuno Pardal