Os accionistas da Porsche não podiam aguentar muito mais a sensação de que o seu CEO não estava a dedicar-se a 100% à empresa, depois do construtor alemão ter visto o seu valor cair 49,7% em apenas três anos, desde que começou a ser cotado na bolsa de Frankfurt. Mas o que verdadeiramente preocupa quem investiu no fabricante germânico que se tornou conhecido pelos seus veículos desportivos — mas que hoje vende maioritariamente modelos SUV, mais pesados e volumosos, como o Macan e o Cayenne — é o facto de, nos primeiros nove meses de 2025, as vendas da Porsche na China terem caído 26% e, devido às tarifas de Trump, o volume de transacções nos EUA ter igualmente baixado 6% só no terceiro trimestre de 2025. Más notícias quando estes são dois dos mercados mais importantes do construtor alemão.
Independentemente do Grupo Volkswagen controlar cerca de 75,4% da Porsche, há alguns meses que os accionistas estavam irrequietos quando à gestão da marca e, sobretudo, desagradados com o rumo seguido. E embora não fosse o único responsável pelo mau desempenho, o facto de Oliver Blume ser simultaneamente CEO do Grupo VW e da Porsche levou-os a duvidar se o gestor estava devidamente focado na melhor estratégia para regressar aos bons resultados.
Depois de muito pressionar, os accionistas lá forçaram as famílias Porsche e Piech (que detêm 31,9% do capital da VW AG, mas 53,3% do direito de voto) a substituírem Blume ao leme da Porsche. E a escolha recaiu em Michael Leiters, de 54 anos, que depois de integrar a Porsche entre 2000 e 2013, período em que chegou a ser assistente de CEO, rumou à Ferrari até 2019, onde foi chief technology officer, para depois desempenhar a função de CEO na McLaren até 2025, construtor que ajudou a revitalizar. O regresso de Leiters à Porsche tem como objectivo principal a redefinição da estratégia da marca para regressar aos lucros e aos recordes de vendas, algo em que Blume falhou.
A tarefa de Leiters está longe de ser fácil, uma vez que o ex-CEO da McLaren tem de determinar que modelos deve conceber e fazer avançar, numa fase em que o mercado está a atravessar um período particularmente complexo. Simultaneamente, Leiters deve decidir se os veículos eléctricos que a Porsche está a comercializar, de momento sem grande sucesso, devem ser reformulados ou simplesmente melhorados, para estarem mais de acordo com reputação que o construtor persegue.