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Morreu Francisco Pinto Balsemão. O político e empresário de comunicação social faleceu esta terça-feira, 21 aos 88 anos. A Impresa diz que Pinto Balsemão morreu de “causas naturais”, tendo “os seus últimos momentos” sido “acompanhados pela família”.

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O militante n.º1 do PPD-PSD foi primeiro-ministro à frente do Governo da Aliança Democrática (AD) depois da queda do avião que vitimou Francisco Sá Carneiro em dezembro de 1980. Desempenhou vários cargos na política — deputado na Assembleia Nacional no anterior regime em nome da Ala Liberal, deputado da assembleia constituinte e deputado — mas foi na comunicação social, primeiro como jornalista e depois como empresário, que viria a deixar a marca mais forte.

Francisco Balsemão lançou o semanário Expresso em 1973, a um ano da chegada da democracia e num país onde existia a censura, que aliás conhecia bem dos anos que tinha trabalhado no Diário Popular, um jornal onde entrou pelas ligações familiares — o tio era o maio acionista — depois de tirar o curso de Direito e da instrução militar na Força Aérea.

Atravessou o conturbado período que se seguiu à revolução do 25 de Abril na direção do Expresso do qual era diretor e proprietário (em sociedade com amigos e empresários próximos). Um dos colaboradores mais próximos neste período foi Marcelo Rebelo de Sousa que viria a substituí-lo como diretor.

Apesar da dedicação ao projeto jornalístico, Balsemão nunca deixou de ter um pé na política e no partido. Até que a vitória da AD original (formada pelo PSD, CDS e PPM), no final de 1979, o levou para o Governo onde assumiu o cargo de ministro adjunto do primeiro-ministro em janeiro de 1980. Um ano depois era o primeiro-ministro de Portugal, cargo que ocupou em dois governos da AD até à sua demissão em junho de 1983, em consequência de conflitos internos dentro da aliança e no próprio partido.

Entre os processos que marcaram a sua governação está a primeira revisão constitucional que eliminou o Conselho da Revolução (substituído pelo Conselho de Estado com menos poderes), mas também as negociações para a adesão à Comunidade Europeia. Numa homenagem feita em 2021 aos 40 anos dos seus governos, António Costa, (então primeiro-ministro) destacou que foi durante a sua governação que “foi aprovada toda a legislação penal do Estado de direito democrático» o que foi «uma verdadeira revolução cultural entre o quadro que herdáramos da ditadura e o atual».

Com a saída do poder, Balsemão deixa para trás uma carreira política e concentra-se na comunicação social — já não como jornalista ou diretor do Expresso — mas como empresário apostado em crescer e criar um grupo. Para além da compra de várias publicações especializadas e revistas como a Visão, é a criação da primeira estação privada de televisão que vai ser o seu grande projeto. A SIC vai para o ar em outubro de 1992, rompendo o monopólio de 35 anos da RTP.

Apesar das primeiras dificuldades em se impor, a SIC viria a conquistar a liderança das audiências em 1995, posição que lhe garantiu uma grande receita publicitária que beneficiou todo o grupo. Balsemão abriu o capital da Impresa em bolsa no ano 2000, sem nunca abdicar do controlo acionista e de gestão do grupo, o que lhe valeu algumas “guerras” com parceiros e investidores. Ao mesmo tempo, os que trabalharam com ele, reconhecem-lhe, enquanto dono e patrão, o total respeito pela autonomia editorial dos seus órgãos e dos seus diretores.

O empresário Francisco Pinto Balsemão sempre defendeu que a melhor forma de garantir a independência nas notícias era ganhar dinheiro no negócio, mas o seu grupo nem sempre conseguiu ter lucros. Depois dos anos de ouro, a SIC perdeu a liderança para a TVI e teve prejuízos que penalizaram a situação da Impresa e pressionaram o seu maior acionista por causa da elevada dívida. Mas a SIC de Balsemão também foi pioneira em Portugal ao criar a primeira estação só de notícias que serviu de modelo para as que se seguiram — a SIC Notícoas — e lançar outros canais temáticos no cabo — SIC Radical, SIC Mulher, SIC Caras, SIC K e SIC Novelas e a plataforma de streaming Opto.

Com a recessão económica e, mais recentemente, a transformação digital, a Impresa teve de lidar com algumas crises. Em 2011, ainda com Balsemão à frente da administração, a Ongoing de Nuno Vasconcellos tenta disputar o controlo da SIC e ameaça comprar a TVI se não conseguir mandar na estação de Carnaxide.  A batalha que se seguiu passou pelas assembleias-gerais e pelos tribunais, mas também pelas notícias. Balsemão ganhou em toda a linha. Mas pouco depois, em 2012, abandonou funções executivas em  Em 2017, já com o filho à frente da administração, a Impresa teve de vender as revistas a Luís Delgado para reduzir a exposição às perdas da imprensa também por pressão dos bancos credores.

Já este ano, foram conhecidas as negociações com o grupo de media criado pelo empresário italiano Berlusconi (já falecido) que podem resultar na venda de uma posição de controlo da Impresa.

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Em paralelo com a vida de empresário, Balsemão manteve uma forte ligação ao grupo Bilderberg,  organização internacional que se dedicava a juntar todos os anos na mesma sala vários membros da elite política económica. Durante décadas fez parte comité executivo, tendo nessa qualidade, decidido que portugueses seriam convidados para os encontros exclusivos.

Manteve igualmente uma carreira académica como professor associado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova até 2002. Foram 15 anos em que que ajudou a formar centenas de jornalistas com a sua cadeira de “A Mutação dos Media”. Muitos acabaram por trabalhar no Expresso e na SIC.

Francisco Pinto Balsemão manteve-se como presidente não executivo do grupo e foi tendo intervenções públicas na esfera da política — apoiou Rui Rio quando este disputou a liderança do PSD contra Montenegro —, mas também na comunicação social, tendo conduzido um podcast de entrevistas.

Publicou as suas memórias em 2021, que foram contadas em podcast este ano com o recurso à inteligência artificial, as quais termina evocando um poeta da Nicarágua, Ernesto Cardenal:

“Hoje e sempre, a única obrigação moral que poderá ser exigida ao Homem, para que seja mais do que matéria fisico-química, é que procure deixar o Mundo onde nasceu, ou seja esta Terra ou algo mais vasto, melhor do que o encontrou”.