As ações da Impresa valorizaram cerca de 97% esta segunda-feira face ao fecho da sexta-feira passada, praticamente duplicando o valor em bolsa da empresa dona da SIC e do Expresso para quase 42 milhões de euros. Este montante corresponde à capitalização da empresa, com cada ação a valer quase 25 cêntimos, um preço que não era alcançado desde março de 2022.
A valorização acentuada é a resposta à informação sobre a existência de negociações para a entrada de um novo investidor no grupo de comunicação social que pode vir a tomar o controlo acionista.
A Impresa começou por confirmar a existência de contactos em exclusividade com o grupo MFE (MediaforEurope) “com vista à avaliação de potenciais operações societárias para a aquisição de uma participação relevante na Impresa”. À data não existia acordo vinculativo para o negócio com o grupo que herdou os negócios do político e empresário de media italiano, já falecido, Silvio Berlusconi.
No domingo, a Impresa acrescentou uma pequena frase que faz grande diferença. No quadro negociações com o grupo MFE, “não se encontra afastada a possibilidade da aquisição por este de uma participação relevante (direta ou indireta) para efeitos de controle na Impresa”, repetindo que não há acordo vinculativo.
A possibilidade da venda do controlo da Impresa rompe com a história do grupo lançado por Francisco Balsemão nos anos de 1970 com o Expresso, e que sempre foi controlado pela família com a ajuda de vários aliados. Por outro lado, a mudança de controlo abre a porta ao lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) por parte do comprador, o que explica o grande apetite dos investidores pelas ações da Impresa.
A cotação do título esteve suspensa nas primeiras horas da manhã de segunda-feira, tendo sido retomada por volta das 10h00. As ações chegaram a atingir o máximo de 25,6 cêntimos, tendo fechado nos 24,8 cêntimos, o que compara com o fecho de 12,6 cêntimos por ação da sexta-feira. A sessão foi ainda marcada por uma forte liquidez, muito superior à normal. Mudaram de mãos mais de 14 milhões de ações, movimentando cerca de três milhões de euros.
A Impresa é controlada pela Impreger com 51,8% do capital. Esta participada é por sua vez controlada pela família Balsemão que gere a empresa, sendo o atual CEO, Francisco Pedro Balsemão, filho do empresário. Segundo o jornal Eco, o acordo com o grupo italiano poderá passar pela entrada da MFE na holding pessoal da família Balsemão, a Impreger, com uma participação de 75%, o que implicaria uma mudança de controlo e o lançamento de uma OPA sobre a Impresa.
O grupo português tem apresentado prejuízos nos últimos exercícios, fruto da perda de receitas resultante de não ter a liderança da televisão, mas também da erosão deste mercado no quadro da digitalização e do crescimento dos canais de streaming internacionais.
A Impresa suportou ainda custos de reestruturação e enfrenta reembolsos de dívida bancária e das obrigações emitidas pela SIC. Este ano, a empresa fez um acordo para a venda da sede ao fundo BPI Imofomento por 37 milhões de euros em duas fases que iria injetar liquidez no grupo, mas este negócio acabou por cair por falta de acordo, o que aumentou a pressão para encontrar soluções financeiras.
A MFE — MediaforEurope é detentora da Mediaset, empresa criada por Sílvio Berlusconi para os investimentos de televisão em Itália. O grupo controlado pela família Berlusconi está presente em Espanha e tem várias estações, rádios e produção e distribuição streaming de conteúdos.
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