O realizador português Pedro Serrazina vai celebrar trinta anos da primeira curta-metragem de animação, “Estória do Gato e da Lua”, com um cine-concerto no Porto com os Mão Morta e com um livro ilustrado.

A celebração, que é também de três décadas de carreira, acontece no dia 28, no Batalha — Centro de Cinema, onde os Mão Morta, em versão trio, vão interpretar ao vivo uma banda sonora inédita para uma remontagem da curta-metragem, estendida para vinte minutos.

“Estória do Gato e da Lua”, de 1995, é a primeira curta-metragem de animação de Pedro Serrazina, esteve em competição no Festival de Cannes (França) e foi premiada nos festivais Cinanima (Portugal) e Clermont-Ferrand (França).

Com pouco mais de cinco minutos e meio (na versão original) e narrado pelo ator Joaquim de Almeida, o filme é uma história poética sobre um gato preto que tenta, a todo o custo, alcançar a lua.

Feito com animação em desenho sobre papel, com produção da Filmógrafo, continua a ser exibido em festivais e mostras internacionais e portuguesas e faz parte do catálogo de filmes do Plano Nacional de Cinema a exibir para escolas.

Além do cine-concerto com os Mão Morta, com os músicos Adolfo Luxúria Canibal, António Rafael e Miguel Pedro, Pedro Serrazina transformou a história do filme num livro ilustrado, a editar em novembro pela Kalandraka.

O livro, ilustrado com o mesmo registo a preto e branco do filme, inclui textos de Pedro Serrazina e do realizador e artista visual José-Manuel Xavier e duas ilustrações de Alex Gozblau e Regina Pessoa.

Ainda antes de ser um livro e um filme, “Estória do Gato e da Lua” foi “um conjunto de pequenas bandas desenhadas que enviava a amigos nos meus tempos em Arquitetura. Cheio de dúvidas sobre um curso para o qual não estava preparado, refugiava-me a desenhar estórias que não se conformavam com a rigidez da realidade”, escreveu Pedro Serrazina na introdução ao livro.

Apesar de influenciado pela banda desenhada, por nomes como Hugo Pratt ou Winsor McCay, foi na animação que disse ter encontrado “a liberdade para construir os espaços que não eram aceites nas entregas de projeto” de arquitetura.

Ainda a propósito dos trinta anos como realizador, Pedro Serrazina também vai estar em destaque no Simpósio Olhares sobre a Animação Portuguesa, que decorrerá em novembro no festival internacional de cinema de animação CINANIMA, em Espinho.

Depois de “Estória do Gato e da Lua”, Pedro Serrazina, que é professor universitário e investigador na área do cinema de animação, assinou filmes como “Os olhos do farol” (2010), “Uma canção distante” (2001) ou “Sombras de nós próprios” (2024).