O Rei Carlos III inaugurou, esta segunda-feira, o memorial An Opened Letter (Uma Carta Aberta, em português), um monumento que homenageia antigos e atuais militares gays, lésbicas, bissexuais e transgénero. Este foi o primeiro compromisso oficial de apoio à comunidade LGBTQIA+ por parte do rei britânico.
O monumento, inaugurado, em Staffordshire, no Memorial Nacional de Arboretum — um parque com centenas de memoriais dedicados às Forças Armadas britânicas, aos serviços de emergência, mas também a vítimas civis de conflitos e tragédias — pretende homenagear os militares da comunidade LGBTQIA+ que ainda prestam serviço militar, mas também aqueles que o fizeram quando era proibido a existência de homossexuais no exército britânico.
O monumento, financiado pelo Governo britânico e desenhado por um grupo de artistas da Abraxas Academy, consiste numa escultura de bronze que se assemelha a uma carta amachucada. Esta contém palavras de testemunhos e mensagens pessoais utilizadas como evidência para incriminar e denunciar estas pessoas.
A proibição foi revogada em janeiro de 2000, pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, depois do Tribunal dos Direitos Humanos considerar, em 1999, que a interdição de pessoas homossexuais nas Forças Armadas violava os direitos humanos. Esta revogação só se verificou 33 anos depois de a homossexualidade masculina ter sido parcialmente descriminalizada em Inglaterra e no País de Gales.
Segundo a BBC, para além da presença do Rei Carlos III, que depositou um ramo de flores junto do monumento, estiveram presentes vários veteranos do exército britânico, que afirmaram que o monumento representa um sentimento de “conclusão” após vários anos de luta contra a discriminação.
A inauguração deste memorial faz parte do conjunto de recomendações de uma investigação independente pedida pelo Governo britânico, que procurou analisar a forma como estes veteranos LGBTQIA+ eram tratados durante os anos da proibição. O relatório final, apresentado no ano passado, denunciou os constantes abusos que sofriam, bem como as agressões sexuais e os despedimentos de que eram alvo.
*Editado por Cátia Andrea Costa
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