Cinco membros de um gangue romeno foram presos na Escócia depois de terem sido condenados por crimes contra mulheres, incluindo violação. O grupo drogava as vítimas, forçando-as a manter relações sexuais. Várias mulheres foram também traficadas para prostituição, escreve o jornal The Telepraph.

O gangue, constituído por quatro homens e uma mulher (todos de nacionalidade romena), atuava em bordéis na cidade de Dundee, cerca de 100 quilómetros a norte de Edimburgo, a capital escocesa. Os membros do grupo abordavam mulheres jovens e vulneráveis, oferecendo-lhes, numa primeira fase, uma dose gratuita de crack (droga feita a partir de uma base de cocaína). Depois, chantegeavam-nas de modo terem relações sexuais contra a sua vontade, descreve a sentença proferida pelo Tribunal Superior de Glasgow esta segunda-feira. As vítimas eram também obrigadas a participar em “jogos sexuais” e incentivadas a convidar amigas.

As dez vítimas, com idades compreendidas entre os 16 e os 30 anos, foram violadas entre 2021 e 2022. Durante seis semanas, o tribunal de Glasgow ouviu depoimentos angustiantes de mulheres vítimas do gangue de romenos. Uma das vítimas, traficada para prostituição, foi ameaçada porque não estava a ganhar o suficiente.

“Durante um período de 15 meses, cada um de vocês participou em abusos sexuais graves e exploração de mulheres vulneráveis ​​e, na sua maioria, jovens, na área de Dundee”, disse o juiz Lord Young, que conduziu o julgamento, acrescentando, que os arguidos, “ao oferecerem às vítimas um suprimento infinito de crack, quase gratuito, exacerbaram as suas vulnerabilidades e passaram a explorá-las para a sua própria satisfação sexual e, em alguns casos, para ganho financeiro”.

O líder do gangue, Marian Cumpanasoiu, de 38 anos, foi condenado à pena mais elevada: 24 anos de prisão, por dez crimes de violação, um de incentivo à prostituição, dois de gestão ilegal de um bordel e um de posse ilegal de arma branca. Os restantes elementos do grupo têm de enfrentar penas de prisão entre os oito e os 20 anos.

Papagaio “delator” ajuda polícia inglesa a desmantelar grupo de traficantes de droga

Três membros do gangue fugiram do país, mas foram identificados e extraditados da Bélgica e da Chéquia para a Escócia para serem julgados. A Polícia da Escócia descobriu as atividades da gangue durante uma operação focada no tráfico de mulheres do leste europeu para Dundee, para trabalharem como prostitutas.

O caso, que está a ter grande impacto mediático no Reino Unido, já levou o Partido Conservador Escocês a pedir ao primeiro-ministro, John Swinney, que reconsidere a abertura de um inquérito aos chamados ‘gangues de aliciamento’ que operam na Escócia. Em setembro, Swinney rejeitou uma emenda do Projeto de Lei das Vítimas, que teria permitido uma investigação parlamentar ao tema.