Um monumento arqueológico, datado da Idade do Bronze (2.700 a 1.450 a.C.), foi descoberto na ilha de Creta, na Grécia, durante a construção e instalação de um novo sistema de radares do novo aeroporto privado Heraklion. Segundo o jornal grego Greek Reporter, apesar das promessas de proteção do monumento, aquando da descoberta em 2024, a construção mantém-se, levantando várias preocupações por parte dos residentes e dos arqueólogos, que já questionaram a Comissão Europeia.

De acordo com o Ministério da Cultura grego, em 2024, aquando da descoberta, a ministra da Cultura da Grécia, Lina Mendoni, e o vice-ministro das Infraestruturas e Transportes, Nikos Tachiaos, reuniram-se para que a descoberta fosse analisada. Em declarações, Mendoni afirmou que “esta era uma descoberta única” e que estavam a ser desenhadas soluções “para que a pesquisa arqueológica continuasse e para que o monumento fosse totalmente protegido”. Acrescentou que, no entanto, a construção do novo aeroporto não deveria ser interrompida.

Quase um ano depois, segundo o Greek Reporter, as escavações ainda continuam, bem como a instalação do sistema de radares do novo aeroporto, que está previsto entrar em funcionamento em 2027. Em julho deste ano, a ministra da Cultura da Grécia voltou a afirmar que “estudos continuam a ser realizados em colaboração com o Ministério das Infraestruturas e Transportes e com a Aviação Civil”, mas que, ainda, não tinham sido encontradas soluções alternativas para a instalação dos radares.

Em resposta à ministra da Cultura, em declarações citadas pelo Greek Reporter, a Associação de Arqueólogos de Emergência acredita que a construção “prejudica a sociedade, danifica o meio ambiente e coloca em causa monumentos arqueológicos apenas para servir interesses económicos”.

Meses depois, os residentes de Creta, bem como arqueólogos e outras organizações civis mantém-se preocupados e, por isso, decidiram, a 15 de outubro, questionar a Comissão Europeia, procurando perceber qual a posição sobre o assunto.

No site do Parlamento Europeu, lê-se que a mobilização do grupo se deveu aos planos do Governo, liderado pelo partido liberal-conservador, New Democracy, “em continuar com a instalação do sistema de radares do novo aeroporto privado junto da colina de Papoura”. Para o grupo, “a decisão é inaceitável e constitui um crime cultural e arqueológico“.

“A instalação ameaça a integridade do monumento e a sua acessibilidade, bem como a saúde e qualidade de vida dos residentes, devido à radiação eletromagnética”, alertam. Pedem, por isso, que as obras do novo aeroporto privado sejam imediatamente suspensas de forma a proteger o monumento.

A descoberta arqueológica, situada na colina de Papoura, em Kastelli, consiste num labirinto arqueológico minoico, que se acredita ter sido construído durante a Idade do Bronze, aproxidamente entre 2.700 a 1.450 a.C., pela civilização minoica, originária da Ilha de Creta. Acredita-se que possa ter sido utilizado entre o período de 2.000 a 1.700 a.C.

O labirinto assemelha-se a uma estrutura circular com cerca de 50 metros de diâmetro e 2,7 metros de altura. Ocupando uma surpefície de 1.800 metros quadrados, está dividido em três zonas: uma núcleo central e outros dois círculos divididos em várias salas, conectadas por passagens estreitas. De acordo com o Ministério da Cultura, como as investigações arqueológicas ainda se estão em curso, desconhecendo-se mais detalhes sobre para o que era utilizado.

Texto editado por Carlos Diogo Santos