Depois de ter passado pelo Haiti, República Dominicana, Jamaica e Cuba, o furacão Melissa está a abandonar as Caraíbas. No total, o fenómeno já causou 49 mortos em território caribenho: 30 no Haiti e 19 na Jamaica, informou a ministra da Informação jamaicana, Dana Morris Dixon, citada pela imprensa local. Dixon adiantou, contudo, que o número deverá subir ao longo deste fim de semana.

Mesmo com o fim da passagem do furacão, mais de metade da Jamaica continua sem eletricidade e quase metade dos sistemas de distribuição de água estão inoperacionais. A destruição é particularmente visível na cidade costeira de Black River, a 150 quilómetros da capital, onde 90% dos edifícios ficaram destruídos, incluindo o hospital, a esquadra da polícia e o quartel de bombeiros.

No local, a BBC relata que ainda não chegaram camiões de ajuda e que os habitantes recorreram aos supermercados e farmácias destruídos para conseguir obter comida e medicamentos. A pilhagem é descrita como “anarquia”, “caos” e “desespero”. “Não temos acesso a dinheiro, precisamos de ajuda. Nenhuma ajuda chegou”, explica uma pessoa. “Perdi tudo, todas as minhas coisas. Precisamos de comida. Não temos comida“, justifica outra. “A cidade inteira está destruída”, remata o presidente da câmara.

O ministro da Saúde da Jamaica, Christopher Tufton, anunciou este sábado que serão instalados vários hospitais de campanha nas zonas mais afetadas pelo furacão, nomeadamente Black River. “Será um hospital totalmente equipado, para que os residentes tenham acesso a cuidados de saúde”, garantiu. Tufton indicou que estão também em curso conversações com a Índia e o Canadá para a instalação de centros médicos de campanha adicionais nos hospitais Savanna-la-Mar, Noel Holmes e Cornwall Regional.

O furacão Melissa foi o mais poderoso a atingir terra em 90 anos. Na terça-feira, chegou a registar ventos superiores a 280 quilómetros por hora — força suficiente para o classificar como furacão de categoria 5, o nível máximo da Escala de Saffir-Simpson.

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Face a este fenómeno, mais de 700.000 crianças e adolescentes precisam “urgentemente de alimentos e água potável” nas Caraíbas, alertou na quinta-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Em consequência das inundações implacáveis nas Caraíbas, centenas de milhares de crianças viram as vidas subitamente viradas de cabeça para baixo (…) precisam urgentemente de alimentos, água potável e saneamento básico, acesso a serviços de saúde e nutrição e um caminho de regresso à educação”, alertou Roberto Benes, diretor regional da UNICEF para a América Latina e o Caribe.

Numa referência exclusiva a Cuba, o Programa Alimentar Mundial (PAM) estimou também na quinta-feira que cerca de 700.000 pessoas, mais de 7% da população, necessitem de assistência, depois da passagem do Melissa pela região leste da ilha. Não se verificaram vítimas mortais em Cuba, mas a parte leste da ilha foi evacuada, tendo sido retiradas da região mais de 735 mil pessoas.

Já no Haiti, outro dos países mais afetados, há pelo menos 21 pessoas desaparecidas, a maior parte na zona sul da ilha e quase 16 mil pessoas continuam nos abrigos, sem regressar às casas, segundo a Al Jazeera.

Os cálculos preliminares da agência especializada das Nações Unidas indicam que metade desse número precisará de apoio material durante três meses e o restante durante seis meses.