Jorge Pinto começou a apresentar a candidatura na sua terra, em Amarante, a falar da família para dizer que se candidatava pela avó Micas, de 99 anos, que nasceu pouco depois do 28 de maio de 1926 e esteve 48 privada de liberdade. Mas logo assumiu que teve dúvidas se devia avançar para não se tornar no “Pobre Tolo” do seu conterrâneo Teixeira de Pascoaes, até perceber que “fazia falta”. Ainda assim, confessou que o “ideal” era ter surgido uma “candidatura fora dos partidos” que pudesse “agregar as esquerdas”. “Esperei, esperei, até à 25ª hora. Não apareceu”, lamenta. Rui Tavares, por “motivos pessoais”, não esteve presente.
Sem dizer o nome de Sampaio da Nóvoa, Jorge Pinto sugeriu que o ideal é que o antigo reitor da Universidade de Lisboa fosse candidato. O candidato garante que “sabia que entraria em jogo com a carruagem já em andamento, que seria o menos conhecido dos candidatos e que teria de provar que esta candidatura faz sentido e que acrescenta.” Sabia que iam colocar questões como: ”O que teria, afinal, de novo e distintivo para trazer a debate?” E respondeu a si próprio que “fazia falta” por ser “uma candidatura da esquerda democrática, ecologista, europeísta, regionalista e globalista; uma candidatura feminista, anti-racista, defensora intransigente dos Direitos Humanos, da dignidade e da decência.”
O candidato do Livre diz que é “orgulhosamente de esquerda”, até porque “a esquerda não é uma gaveta, mas sim uma janela. Uma janela que nos abre ao mundo, da qual vemos o mundo e a partir de onde falamos com todas as pessoas.” Também se assume “convictamente europeísta”, uma vez que “é preciso quem à esquerda tenha uma visão crítica mas construtiva daquilo que deve ser o papel de Portugal na União Europeia e o papel da União Europeia no Mundo.” Além, claro, de “apaixonadamente ecologista”
Jorge Pinto diz que dissolve a AR se a direita e a extrema-direita fizeram revisão da Constituição
Jorge Pinto diz que o Presidente da República “tem de ser uma figura para quem os portugueses olhem e percebam que pode, caso a isso seja levado, tomar decisões firmes que garantam essa estabilidade.” O candidato apoiado pelo Livre diz que todos “sabem bem a fragilidade do “não é não” e de outras promessas que, a qualquer momento, se podem romper.” Daí que defenda que o Presidente da República para os próximos anos tenha de ser alguém “absolutamente claro naquilo que defende e naquilo que fará se confrontando com situações que possam colocar em risco a estabilidade democrática do nosso país.”
O candidato do Livre diz que deixa ainda uma “promessa clara se houver a tentação da direita e da extrema direita de avançarem com um revisão drástica da Constituição, sem que isso tenha sido tema de debate ou tema durante a campanha eleitoral, eu, enquanto Presidente da República, voltarei a chamar os portugueses às urnas e para que digam se estão ou não dispostos a aceitar essa revisão.” O candidato apoiado pelo Livre diz que “é também essa a função de um Presidente da República: ser um contrapeso democrático que assegure a estabilidade do Regime perante quem o queira atacar.”
Jorge Pinto diz ainda que a candidatura “vai ser menos do mesmo” porque está “farto, farto, farto de andar a reboque de discussões que interessam pouco aos portugueses. Com franqueza, já não há paciência. Não vou contribuir para isso. Avanço para esta campanha para deixar de ser obrigado a acompanhar a agenda dos outros. Vou à luta para ser eu quem marca a agenda.”
O candidato propõe um pacto republicano em nove pontos, onde aborda áreas como a Saúde, Justiça e a Habitação. O candidato apoiado pelo Livre deixa ainda uma promessa: “Esta será uma campanha alegre, de sorriso na cara. E sê-lo-á porque este não é o funeral da República. Nós não deixaremos que este seja o funeral da República. Por isso faremos a campanha de forma confiante e sorridente. Porque o futuro será o que dele fizermos.”