Associações ambientalistas lamentaram esta quarta-feira que os Estados-membros da União Europeia (UE) prevejam na prática um corte de 85% nas emissões de dióxido de carbono (CO2) e não de 90%, como anunciado, até 2040.
Em comunicado, a organização não-governamental (ONG) ambientalista Greenpeace contestou o facto de o valor acordado — o mínimo do intervalo 90%-95% proposto pelo Conselho Consultivo Científico Europeu sobre Alterações Climáticas — não ser o que se vai reduzir efetivamente, dado que o acordo permite que 5% destes 90% sejam compensados pela aquisição de créditos de carbono fora do bloco comunitário.
O compromisso adotado por maioria qualificada, destaca ainda a Greenpeace, prevê que os governos “também poderiam transferir mais cinco pontos das suas próprias metas nacionais“.
O conselho consultivo, sublinhou a Greenpeace, recomendou que “esta meta [de 90%] deve ser para reduções domésticas na poluição ambiental e não cortes transferidos para outros países”.
Também a WWF contestou que haja uma redução efetiva de 90% das emissões de CO2 até 2040, alertando que “no papel, isso pode não parecer tão mau, mas, na realidade, a dependência de compensações internacionais de até 5% e a inclusão de uma pausa de emergência para sumidouros de carbono podem reduzir a meta doméstica real para menos de 85%”.
A WWF reconheceu, no entanto, que o acordo político alcançado — e que tem de ser negociado com o Parlamento Europeu — é melhor do que seria a UE chegar à cimeira da COP30, entre os dias 10 e 21, em Belém, no Brasil, sem qualquer documento aprovado.
O Conselho da UE chegou esta quarta-feira a um acordo político para reduzir as emissões de CO2 em 90% até 2040, em relação a 1990, embora diluindo os objetivos com medidas que concedem maior flexibilidade aos Estados-membros.