Têm aumentado, nas últimas semanas, os episódios de violência levados a cabo por colonos israelitas contra palestinianos em áreas da Cisjordânia ocupadas por colonatos ilegais à luz do direito internacional. Nos últimos dias, a imprensa israelita trouxe a público dois casos que ilustram a violência não só contra os palestinianos, mas também contra os seus meios de subsistência: numa aldeia no sul da Cisjordânia, um grupo de colonos mascarados atacou e matou vários cordeiros num curral de uma família palestiniana; noutra aldeia, mais a norte, colonos e soldados israelitas impediram agricultores palestinianos de colher azeitonas nas suas próprias terras.

No primeiro caso, imagens de videovigilância vindas a público através do jornal Haaretz mostram um grupo de pessoas mascaradas a entrar num curral de uma propriedade agrícola de uma família palestiniana e a agredir violentamente, com tacos de baseball e blocos de cimento, vários cordeiros, matando alguns. Pelo menos seis animais morreram no ataque. Antes, os atacantes tinham partido janelas de viaturas no exterior do curral, pegado fogo a vários terrenos de cultivo e atirado gás-pimenta para o interior da casa da família, na vila de Samu.

O agricultor palestiniano Mahmoud Daghmeen relatou à Al Jazeera que se encontrava dentro de casa com a mulher e os quatro filhos quando foram atacados. Os ataques frequentes de grupos de colonos israelitas contra palestinianos na Cisjordânia têm tido cada vez mais como alvos os animais e os terrenos de cultivo, visando não apenas os próprios habitantes da Palestina como também os seus meios de subsistência. Um ativista ouvido pelo The Telegraph diz que há vários relatos de animais de quintas perseguidos por drones, atropelados ou envenenados. Entretanto, a polícia israelita já confirmou que está a investigar o ataque e a procurar localizar os suspeitos.

Noutro caso, ocorrido no fim de semana passado, um grupo de colonos e de soldados israelitas impediu agricultores palestinianos de apanhar azeitonas. A apanha da azeitona e a produção de azeite é uma importante fonte de subsistência para os palestinianos, com esta altura das colheitas a ser fulcral para a produção. Vários agricultores da aldeia de Sinjil foram impedidos pelos soldados, com o argumento de que a zona era uma área militar restrita.

De acordo com o Haaretz, os soldados chegaram ao local depois de um colono que se tem dedicado nos últimos dias a patrulhar os olivais para impedir os palestinianos de apanhar azeitonas ter chegado e, alegadamente, ter ameaçado os palestinianos com uma arma de fogo. As forças israelitas dizem ter chegado para dispersar a escaramuça depois de terem recebido relatos de que havia palestinianos e colonos a atirar pedras uns aos outros. Mais tarde, vieram a público vídeos que mostravam os próprios soldados israelitas a apanhar azeitonas no olival palestiniano. Na semana anterior, um caso semelhante tinha ocorrido noutro olival na Cisjordânia.

Os casos multiplicam-se numa altura em que os partidos mais radicais do parlamento israelita têm insistido na ideia de que a Cisjordânia deve totalmente ser anexada por Israel — algo que não está no programa do atual governo israelita e que os Estados Unidos têm rejeitado.