Cumpriu-se no último fim de semana um ano desde que Ruben Amorim deixou o futebol português para assinar pelo Manchester United. Ao longo desta trajetória pós-Sporting, o treinador de 40 anos venceu 21 dos 53 jogos que disputou, tendo somado 13 empates e 19 derrotas por entre os recordes negativos, uma final europeia e a estabilidade que alcançou na presente temporada. Ainda assim, os red devils ainda não conseguiram alcançar o registo de cinco vitórias consecutivas, que podia ser anotado no próximo fim de semana, não fosse o Man. United ter empatado em casa do Nottingham Forest (2-2). Contudo, de forma incontornável, esta é a melhor fase do clube com o português ao leme.

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Esta quarta-feira, Jason Wilcox, diretor para o futebol do Man. United, esteve presente no podcast Inside Carrington, dos red devils, e falou sobre as mudanças que aconteceram no seio do clube depois da chegada de Amorim. “Temos de continuar a construir o espírito e a desenvolver a ideia do Ruben. O Ruben tem uma ideia muito clara. É uma ideia muito mais flexível do que as pessoas pensam. Temos de começar com o objetivo final em mente e compreender o modelo de jogo, como é o Manchester United. Temos de juntar as peças do puzzle. Ao juntarmos as peças do puzzle, gostaríamos que todas estivessem no lugar para podermos ver uma imagem muito mais clara. Mas, enquanto estamos a construir e a formar essa imagem, tudo se torna mais difícil quando se perdem alguns jogos, porque as pessoas começam a questionar as coisas. No entanto, eu, o Ruben, o Omar [Berrada, diretor executivo] e os proprietários temos uma ideia muito clara da direção a seguir e isso é realmente importante”, começou por dizer.

“Há reuniões contínuas entre mim e o Ruben com o Chris Vivell [diretor de recrutamento] e a sua equipa, onde definimos com clareza os perfis de que precisamos. O briefing vem de mim e do Ruben, passa para o Chris, há muita discussão e debate sobre os perfis necessários e, depois, os olheiros vão ao mercado. Combinamos isso com a equipa de dados e, a partir daí, há um diálogo constante. Neste momento estou a ter reuniões semanais com a equipa de recrutamento sobre os diferentes perfis, a faixa etária, o custo e sobre se são exequíveis. Também tenho [reuniões] com o Ruben. É uma abordagem realmente integrada. Quando contratamos um jogador, muitas pessoas estão envolvidas no processo. A equipa de dados participa no processo e, depois, concentramos toda a nossa atenção em determinados jogadores”, acrescentou o dirigente.

Mais à frente, Wilcox disse que a política de contratações “é fundamental”. “Penso que temos de contratar jogadores que tragam algo diferente ao balneário. O mais importante é que, sempre que contratamos alguém, essa pessoa queira evoluir, ser um jogador de equipa e compreender o que significa fazer parte de um coletivo de sucesso. Não se trata de juntar os Harlem Globetrotters. Se olharmos para as equipas de sucesso do Manchester United, havia jogadores muito funcionais que morriam pelo emblema e também alguns génios. Quando se fala de [Eric] Cantona, todos dizem que ele era um profissional exemplar”, recordou ao podcast.

Segundo o antigo jogador de 54 anos, as mudanças implementadas por Ruben Amorim chegaram, inclusivamente, ao… parque de estacionamento. “Agora, quando olho para o parque de estacionamento e vejo que, com a hora de chegada marcada para as 9h45, os rapazes chegam às 8h30/8h45 e começam a preparar-se para o treino, isso é um bom sinal. O ambiente no relvado não mudou muito, nem a intensidade ou o ruído, quer se ganhe ou se perca. Claro que, quando se perde um jogo, há desilusão e frustração, mas assim que entram no campo de treinos, sente-se o caráter e o espírito de equipa. Sente-se a energia a crescer e só temos de continuar assim. A janela de transferências do verão do ano passado [com Erik ten Hag] foi muito mais caótica do que esta. Esta foi muito calma. Sabíamos o plano, sabíamos que jogadores queríamos, tínhamos as nossas listas e as áreas do campo que precisávamos de melhorar”, completou.

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Mais à frente, Jason Wilcox falou sobre as contratações que o clube fez para a frente de ataque, em particular de Benjamin Sesko, que considera que vai ser “um jogador incrível”. “É difícil ser o número 9 do Manchester United e sei que, por vezes, o Matheus [Cunha] e o Bryan [Mbeumo] recebem muito crédito, mas as jogadas do Benji [Sesko] também ajudam o Matheus e o Bryan. Todos têm estado muito bem. As contratações do verão passado foram de profissionais de topo”. Na baliza, o escolhido para substituir Andre Onana foi Senne Lammens, que tem um “grande potencial”. “Senne estava disponível e decidimos avançar, mas não foi uma reação impulsiva. O Tony Coton [olheiro de guarda-redes] chamou-me a atenção para o Senne há 12 meses e foi incansável nisso. Este jogador vai ser uma grande contratação para nós e começou bem, mas tem de continuar assim. É muito ponderado e muito profissional na sua postura”, partilhou Wilcox.