Foi em setembro, quando o Manchester United perdeu com o Brentford, que Ruben Amorim deu uma das respostas mais duras em relação às críticas ao sistema tático que levou de Alvalade para Old Trafford. “É sempre a mesma coisa. Quando ganhamos não é o sistema, quando perdemos é o sistema”, atirou o treinador português. Tal como sempre prometeu, nunca mudou a ideia de jogo que carrega consigo desde o início da carreira — mas soube adaptá-la, mudá-la e melhorá-la.
A verdade é que, atualmente, o Manchester United atravessa a melhor fase desde que Ruben Amorim chegou a Inglaterra, há praticamente um ano. Os red devils levam três vitórias consecutivas e estão no sexto lugar da Premier League a apenas um ponto do apuramento para as competições europeias – uma situação impensável em agosto, por exemplo, quando foram eliminados da Taça da Liga pelo Grimsby Town da quarta divisão inglesa.
Mas o Manchester United não tem apresentado apenas resultados. Para vencer Sunderland, Liverpool e Brighton nas últimas semanas, principalmente para vencer em Anfield, a equipa de Ruben Amorim mostrou melhorias em praticamente todos os setores, apresentou uma competitividade que insistia em afastar-se de Old Trafford e vincou a qualidade individual que culmina necessariamente na qualidade coletiva. De grupo banal, desmotivado e desconexo passou a grupo intencional, otimista e comprometido. E as explicações não passaram pela mudança de sistema tático.
A principal diferença está na baliza. Depois de ficar claro que André Onana não era opção, apesar de ter começado a temporada antes de ser emprestado ao Trabzonspor da Turquia, Ruben Amorim apostou em Altay Bayindir enquanto esperava por um presente durante o mercado de transferências. O presente, com papel de embrulho no valor de 21 milhões de euros, chamava-se Senne Lammens e vinha diretamente do Antuérpia da Bélgica. E mais do que a segurança entre os postes tornou-se o primeiro elemento da transição ofensiva do Manchester United.
Contra o Sunderland, Senne Lammens fez 37 passes longos. Contra o Liverpool, fez 45, apenas menos dois do que toda a equipa dos r tentou. Contra o Brighton, fez mais 32. A média de passes longos do guarda-redes do Manchester United já é a mais alta de toda a Premier League, chegando aos 23.2 por jogo e representando um aumento brutal de 76% em relação à temporada passada. A equipa de Ruben Amorim joga mais rápido, de forma mais direta e com menos obstáculos e isso nota-se também nos ataques que não começam na baliza.
????Rúben Amorim, ready for first ???????????????????????????? ???????? ???????????? ???????????????????? nomination since joining United! ????????
????️ Three games
✅ Three wins
⚽️ 8 goals scored
????️ 3 goals conceded
???? 1 clean sheet…and ???????????????? ???????? ???????????????????? with his Manchester United ???????????? pic.twitter.com/U2idttX2Z0
— Manchester United Forever (@Utd_Forever7) October 29, 2025
Atualmente, o Manchester United é a terceira equipa da Premier League com mais passes longos bem sucedidos, sendo que na época anterior não passava da média. Em 2024/25, a equipa de Ruben Amorim era o quinto ataque mais lento do Campeonato, sendo que atualmente é o oitavo mais rápido. O número de passes por momento de posse caiu drasticamente, assim como o número de posses com 10 ou mais passes, e é impossível não conectar esta mudança de atitude ao mercado de transferências – particularmente à contratação de Bryan Mbeumo, um jogador com uma velocidade e uma capacidade de explosão que o plantel não tinha há um ano.
Por fim, e mesmo com um futebol mais direto, a verdade é que este Manchester United arrisca menos. Se na temporada passada os red devils eram a equipa da Premier League com mais toques na bola dentro do próprio último terço, a verdade é que agora só mesmo o Arsenal tem menos. Só 30% dos toques na bola do Manchester United ao longo de um jogo acontecem bem dentro do meio-campo defensivo, uma queda abrupta em relação à percentagem do ano anterior.
A tudo isto, segundo o The Athletic, junta-se ainda o facto de a equipa ter deixado de bater pontapés de canto para o lado exterior da grande área, invertendo a estratégia para pontapés de canto para o interior da grande área e à procura da maior densidade populacional de jogadores. Em resumo, com alterações de atitude e planeamento em praticamente todos os setores, Ruben Amorim conseguiu mudar e melhorar o Manchester United sem precisar de mudar o sistema tático que tantas vezes lhe serviu de fardo. O próximo desafio é já este sábado, longe de casa, contra o Nottingham Forest de Sean Dyche.
What has Ruben Amorim changed about Manchester United's style of play to gain three consecutive wins?
Let’s begin with an easy one. Long, launched passes out from the goalkeeper have been the starkest difference about United’s style of play this season, particularly since Senne… pic.twitter.com/VJpKWJvr3u
— The Athletic | Football (@TheAthleticFC) October 29, 2025
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