O procurador-geral da República não se compromete com uma data, mas admite que seria “um bom presente” contar com uma decisão sobre a averiguação preventiva a Luís Montenegro, relativa ao caso Spinumviva, antes de Natal. “Estou consciente e completamente convicto de que temos possibilidades de dar um despacho relativamente a este tema. Mas não vos vou dizer os prazos. Estou confiante na procuradora que está a analisar a situação”, disse o procurador-geral.
Depois de ter apontado para uma decisão relativa a este processo para antes das férias judiciais, o procurador-geral sugere agora que um novo prazo. Questionado sobre se a apresentação do despacho seria um bom presente de Natal, Amadeu Guerra assentiu: “É um bom presente de Natal. Mesmo que seja antes do Natal, não há problema nenhum.”
Avanço do processo Influencer “dependente” de emails
Passados dois anos das buscas à residência oficial do então primeiro-ministro António Costa, a propósito da Operação Influencer, o procurador-geral da República explicou esta sexta-feira que o avanço do processo está dependente da decisão de um tribunal de segunda instância relativa a um recurso apresentado pela defesa.
“Neste momento, existe um recurso interposto pelos arguidos relativamente ao correio eletrónico. Foi apreendido correio eletrónico durante o processo, os arguidos interpuseram recurso. E, enquanto não tivermos acesso à informação que está nos mails, não podemos avançar“, disse Amadeu Guerra esta sexta-feira, exatamente dois anos após a nota da PGR que dava conta do inquérito em curso e da referência a António Costa, que levou à demissão do então chefe do Governo.
“Estamos dependentes do recurso no Tribunal da Relação, que está para ser apreciado”, continuou o procurador-geral da República. “A comunicação social e todos os cidadãos devem compreender que não podemos fechar o processo com metade ou parte da documentação que foi apreendida”, afirmou ainda, depois de uma reunião na Sala do Senado do Parlamento, que juntou a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, representantes de partidos e das diferentes instituições judiciais, entre eles o próprio procurador-geral da República.
Amadeu Guerra vincou que existe a “obrigação de perceber a totalidade dos factos, porque o processo Influencer não é só o processo do ex-primeiro-ministro António Sócrates” — disse, corrigindo, logo de seguida para o nome do Presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Ao contrário de Costa, que nunca chegou a ser constituído arguido, João Galamba é um dos nove arguidos do processo Influencer. O ex-ministro das Infraestruturas e ex-secretário de Estado da Energia lamenta que, passados dois anos, a justiça ainda não tenha ouvido “as pessoas que escutaram durante quatro anos”.
“Parece que ainda nem abriram todos os mails, nem analisaram todas as ‘provas’. As ‘diligências’, essas, continuam, seja lá o que isso for”, escreveu nas redes sociais o antigo governante, que ainda não foi inquirido, apesar de já ter pedido para que isso acontecesse.