Carl E. Avinger, John Stamp, Bobby Jackson, Craig Taylor ou Anthony S. Williams. Estes são apenas algumas das falsas identidades usadas ao longo de décadas por um homem, residente em Nova Iorque, para cometer crimes ou para se identificar perante a polícia. O esquema, que passava pela dissimulação da identidade real, só foi descoberto este ano pelas autoridades norte-americanas. O homem vai ser julgado dentro de poucos dias por crimes de furto e fraude mas ninguém sabe o nome ou a idade do suspeito, escreve o New York Times.
O esquema de dissimulação da identidade foi descoberto apenas em março de 2025, quando o homem foi acusado de, em conjunto com três cúmplices, falsificar assinaturas e firmar escrituras falsas de forma a apoderar-se de forma indevida de casas na zona de Queens, em Nova Iorque. O nome usado pelo homem para levar a cabo os crimes era Carl E. Avinger. No entanto, desta vez, houve um contratempo. O verdadeiro Carl E. Avinger — um homem residente no estado do Tennessee — apercebeu-se do processo judicial e contactou o gabinete do procurador distrital do Queens para informar de que aquele homem não era quem dizia ser.
Até esse telefonema, o esquema montado pelo homem em causa — conhecido apenas por Ace — tinha resultado durante 33 anos. Desde 1992, que usara as mais variadas identidades (Kevin C. Windley, Kevin Windleg, Corey Blake Duncan, Marco Ferrari, Marco Ferrare, Elvis Taylor ou Elvis Teller) para cometer dezenas de crimes na cidade de Nova Iorque mas também em Long Island e até mesmo no estado do Oklahoma, segundo os registos policiais e criminais consultados pelo NYT e que foram revistos pelas autoridades norte-americanas.
Tudo começou precisamente em 1992 quando, depois de ter sido detido várias vezes por roubo em Manhattan, disse à polícia ter 16 anos e chamar-se Elvis Teller. Ao longo da década seguinte, seria preso mais 29 vezes na cidade e usaria várias identidades para se identificar. Quando foi acusado de colocar outras pessoas em risco disse chamar-se Bobby Jackson e ter 18 anos; quando foi acusado de furto qualificado identificou-se como Marco Ferrare, de 26 anos; quando foi acusado de tentativa de homicídio na sequência do roubo de um carro disse ser John Stamp, de 16 anos.
Preso pela primeira vez em 1995 por agressão e porte de arma, cumpriu dois anos de prisão. Saiu em liberdade condicional mas voltaria a ser preso noutras ocasiões, tendo cumprido um total de cinco anos atrás das grades. Em 2006, foi detido durante uma operação de trânsito no estado do Oklahoma por ter invadido a via contrária. Na sequência da revista à viatura, a polícia descobriu droga, tendo sido depois deduzida acusação.
Foi nessa ocasião que decidiu usar o nome de Carl E. Avinger, morador de Knoxville, no Tennessee. Cumpriu três anos de prisão, saiu em liberdade condicional e, em 2011, estava de regresso a Nova Iorque, onde, até 2022, seria preso outras 15 vezes por diversos crimes, nomeadamente condução sem habilitação legal ou suspensa ou sob o efeito de álcool ou intimidação de vítimas ou testemunhas.
Há três anos, o homem agora acusado montou um esquema, tendo como cúmplice uma mediadora imobiliária, que passava por falsificar assinaturas e registar casas vazias em seu nome, alegando ser o proprietário. Tanto o homem como a cúmplice, identificada como Autumn Valeri, faziam-se também passar por notários, de forma a vender algumas das propriedades das quais se tinham apoderado ilegalmente.
Pendem agora sobre o homem 47 acusações de furto qualificado, posse criminosa de bens roubados, conspiração e outros crimes, onde se inclui o roubo de identidade. Por estes crimes, cumprirá entre três anos e meio e sete anos de prisão. A 8 de outubro, na primeira audiência em tribunal, a juíza Leigh K. Cheng perguntou à procuradora responsável pela acusação qual o nome verdadeiro do homem que estava a ser julgado. “Não sei”, disse Rachel Stein, admitindo que o réu não irá colaborar. “Ele não vai admitir. É o que é.” Segundo o New York Times, o arguido deverá conhecer a sentença a 13 de novembro, sob nome John Doe.