Julia Wandelt, a polaca de 24 anos que afirmava ser Maddie McCann, foi condenada a seis meses de prisão pelo assédio à família McCann. Porém, foi absolvida da acusação mais grave: perseguição. A decisão foi tomada esta sexta-feira pelo Tribunal de Leicester, no Reino Unido, após um julgamento que durou cerca de quatro semanas, noticiou a BBC.
A jovem tinha sido acusada de realizar uma campanha de assédio contra Kate e Gerry McCann entre 1 de junho de 2022 e 21 de fevereiro deste ano, que incluiu “chamadas, mensagens e deslocações à casa dos McCann”. Como Julia estava presa desde fevereiro, a juíza decidiu incluir o tempo que passou sob custódia no cálculo da pena, considerando, assim, que a pena está cumprida.
Wandelt alegava ser a criança desaparecida, afirmando publicamente ter dúvidas sobre a sua própria identidade, uma vez que tinha “semelhanças físicas com Madeleine“. Estas alegações tiveram muito destaque nas redes sociais, causando uma nova exposição pública para os McCann.
Numa das sessões, em outubro, o procurador afirmou recordou que o desaparecimento de Madeleine “continua a ser um dos casos de crianças desaparecidas mais mediáticos e dolorosos do mundo”, sublinhando que a atenção pública constante foi “um dos muitos trágicos efeitos colaterais para Kate e Gerry McCann”.
Apesar do impacto descrito em tribunal, o júri entendeu que o comportamento da polaca não preencheu o critério legal de perseguição, absolvendo Wandelt desta acusação. No entanto, concluiu que a arguida cometeu o crime de assédio, tratando-se de um crime punível com pena máxima de seis meses de prisão. A juíza impôs, ainda, uma ordem de restrição contra Wandelt, alegando que a jovem representa um “risco significativo de assédio aos McCann no futuro”.
Karen Spragg, coarguida no processo, enfrentava acusações de perseguição e assédio relacionadas com os mesmos factos, mas o tribunal absolveu-a de todas as acusações. Porém, a juíza também proibiu Spragg de contactar a família McCann durante os próximos cinco anos.
Família McCann só queria que o assédio terminasse
Os pais de Maddie divulgaram, após a decisão do tribunal, uma breve declaração sobre o caso. Na nota, Kate e Gerry McCann afirmam que não celebram o resultado e que apenas desejavam que “o assédio parasse”.
“Esperamos que Wandelt receba os cuidados e o apoio adequados e que qualquer vulnerabilidade não seja exposta por terceiros”, acrescentam os pais McCann no comunicado citado pela BBC.
Por fim, reforçam o apelo para que qualquer “nova prova relacionada com o desaparecimento de Madeleine” seja comunicada às autoridades.