O primeiro-ministro participa, sábado e domingo, na 4.ª Cimeira entre a União Europeia e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) em Santa Marta (Colômbia), que visa reforçar a cooperação entre os dois blocos.

Luís Montenegro, que está esta sexta-feira em Belém, no Brasil, na cimeira de líderes da conferência da ONU do clima, a COP 30, viajará depois para a Colômbia para a cimeira UE-CELAC, que acontece dois anos após o 3.º encontro, em Bruxelas.

A 4.ª cimeira UE-CELAC vai juntar, até segunda-feira, líderes europeus, latino-americanos e caribenhos com o objetivo de reforçar as relações entre ambas as regiões, numa reunião marcada por várias ausências, como da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do chanceler alemão, Friedrich Merz, ou do presidente francês, Emmanuel Macron.

A cimeira será copresidida pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, no seu atual papel de presidente da CELAC, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Em substituição de Ursula von der Leyen, a UE estará representada pela alta representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas.

Segundo a organização, está confirmada a participação de 12 chefes de Estado, seis vice-presidentes e 23 chanceleres do total dos 27 Estados-membros da UE e 33 países da CELAC.

Estarão na reunião de Santa Marta os Presidentes do Brasil, Lula da Silva, e do Uruguai, Yamandu Orsi Martínez, o líder do Governo espanhol, Pedro Sanchéz, e os primeiros-ministros da Finlândia, Petteri Orpo, dos Países Baixos, Dich Schoof, e da Croácia, Andrej Plenkovic, entre outros.

De acordo com a página oficial da cimeira, o objetivo será o reforço da “parceria de longa data” entre os dois blocos e a cooperação no que diz respeito aos desafios mundiais, como a governação mundial, a segurança internacional e as alterações climáticas.

Os debates incidirão também sobre prioridades como a defesa do multilateralismo, o comércio e o investimento, as transições ecológica e digital e a luta conjunta contra a criminalidade organizada, a corrupção e o tráfico de droga e de seres humanos, e explorarão “novas vias de colaboração para promover a paz, a segurança e a prosperidade em ambas as regiões”.

De acordo com o programa, no sábado decorrerá a cerimónia inaugural da cimeira às 19h00 locais (meia-noite de domingo em Lisboa), num hotel em Santa Marta, cidade fundada há 500 anos e situada na costa caribenha do país, a mais de 700 km da capital Bogotá.

No domingo, já no centro de convenções, depois da foto oficial dos chefes de Estado e de Governo presentes e de um momento cultural, a sessão de abertura da cimeira está marcada para as 10h00 (15h00 em Lisboa), com uma ronda de intervenções iniciais do presidente da Colômbia e do presidente do Conselho Europeu, bem como do presidente do Uruguai e do primeiro-ministro da Jamaica.

Ao longo do dia, decorrerá a sessão plenária da cimeira, com intervenções dos chefes de Estado e de Governo dos países representados, estando previsto, no final, um encontro de Luís Montenegro com a imprensa portuguesa.

No segundo e último dia da cimeira UE-CELAC, na segunda-feira, haverá uma conferência de imprensa final por parte do presidente da Colômbia e do presidente do Conselho Europeu.

A cimeira decorre num contexto de tensões diplomáticas entre Bogotá e Washington depois de os Estados Unidos terem aplicado sanções ao Presidente Gustavo Petro e de o terem acusado de colaborar com o narcotráfico.

Os Estados Unidos dizem já ter afundado 17 embarcações no Caribe e Pacífico, alegadamente envolvidas em tráfico de droga, causando mais de 60 mortes, enquanto países como a Colômbia e a Venezuela classificam estes ataques norte-americanos como assassinatos e execuções extrajudiciais. Alguns países, como o Brasil, avisaram querer abordar o tema na cimeira UE-CELAC.