Donald Trump decidiu recuperar, este domingo, uma notícia falsa que tem sido repetidamente desmentida, partilhando-a nas suas redes sociais. Num momento de tensão e de paralisação do Governo norte-americano, sobretudo por causa de uma discordância entre democratas e republicanos sobre o sistema de saúde promovido por Barack Obama, Trump espalhou a ideia de que o ex-Presidente já teria ganhado 40 milhões de dólares (34,6 milhões de euros) em “direitos de autor” recebidos pela lei conhecida como “Obamacare”.
Na rede social Truth Social, Trump partilhou uma imagem em que se diz que o seu governo parou um suposto pagamento de 2,5 milhões de dólares (2,2 milhões de euros) que seria feito a Barack Obama por “direitos de autor ligados ao Obamacare”.
“Obama recebe este pagamento desde 2010, num total de 40 milhões em dinheiro dos contribuintes”, prossegue a imagem publicada por Trump, que lhe juntou uma reação curta: “WOW!”.
Acontece que isto não é verdade — formalmente, a lei nem sequer se chama Obamacare, mas Patient Protection and Affordable Care Act — e, como recorda aqui o The Guardian, esta teoria tem sido desmentida em artigos e fact checks desde que surgiu pela primeira vez, em 2017, num site satírico que publica, assumidamente, notícias falsas ou com conteúdo cómico.
A partilha de Trump aparece numa altura em que democratas e republicanos acabaram de desbloquear a paralisação mais longa de sempre da administração norte-americana, neste caso por desentendimentos que têm a ver com o financiamento da Obamacare.
Na madrugada desta segunda-feira, um grupo de pelo menos oito senadores democratas centristas chegou a consenso com os líderes republicanos do Senado e da Casa Branca para permitir o desbloqueio do governo, em troca de uma futura votação sobre a extensão dos subsídios para a Saúde. Trump tinha passado boa parte do fim de semana a partilhar publicações contra a lei da autoria de Obama.
O novo acordo colocará um ponto final na paralisação e vai permitir ao Congresso aprovar os fundos orçamentados para os departamentos da Agricultura, Assuntos dos Veteranos e outras agências governamentais até 30 de janeiro, ao mesmo tempo que possibilita o pagamento a cerca de 650 mil funcionários públicos a quem foi suspenso o salário e a reintegração de outros colocados em licença laboral.
Em troca, o líder da maioria republicana no Senado, John Thune, prometeu aos democratas votar, em dezembro, uma extensão dos subsídios para a lei dos cuidados de saúde, conhecida como Obamacare, que expira no final do ano.