A bancada do Chega na Assembleia Municipal de Odemira propôs a criação de um memorial a Charlie Kirk por ocasião do primeiro aniversário do seu assassinato. A proposta acabou rejeitada na reunião desta quinta-feira com os votos contra de PSD, PS e CDU, com o voto favorável do Chega e a abstenção irónica de um dos deputados municipais socialistas.

O vereador do Chega na Câmara de Odemira reagiu à rejeição da proposta nas redes sociais, onde escreveu que a “Assembleia Municipal de Odemira deu mais um tiro em Charlie Kirk”. Manuel Matias, pai da deputada Rita Matias, defendeu que o memorial ao político norte-americano “não seria apenas um memorial a um homem” mas uma homenagem a um valor democrático. “Seria um memorial à liberdade, à tolerância, à liberdade de expressão, e à rejeição de todas as formas de violência política. Infelizmente, os filhos e herdeiros de Abril votaram contra.”

Além dos eleitos do Chega, o presidente da junta de freguesia de São Teotónio, eleito pelo PS, foi o único deputado municipal que não votou contra a proposta. Dário Guerreiro esclareceu, numa declaração de voto oral, que votou de forma diferente da bancada socialista por ter encontrado na proposta “uma base que não lhe permitiu votar contra”. O autarca do PS disse que “não poderia estar mais de acordo” com uma passagem da proposta do Chega em que se sublinha que “a defesa da liberdade de expressão implica reconhecer o direito de cada cidadão de expor as suas ideias sem recurso à violência”.

Dário Guerreiro admitiu que “até não seria totalmente descabido” construir um monumento no concelho para homenagear a liberdade de expressão, mas defendeu que o memorial fosse “um pouco mais abrangente”, lembrando que, além de Charlie Kirk, várias outras pessoas morreram na defesa desse valor.

“Talvez uma das Caldas ou quiçá um Zé Povinho de Rafael Bordalo Pinheiro, que é um dos símbolos mais icónicos da identidade portuguesa. Assim, Odemira enviaria ao mundo um manguito a todos aqueles que tentam limitar a liberdade de pensamento. Enviaria um valente manguito aos racistas, aos misóginos, aos que espalham ódio nas redes sociais, aos que tratam pessoas por raças de canídeos. Enviaria um gigantesco manguito àqueles que, através da mentira, enxovalham e tentam, todos os dias, destruir aquilo que prometem defender”, sugeriu o deputado municipal socialista.

O líder da bancada socialista acusou o Chega de “casmurrice política” por apresentar a proposta de homenagear Kirk. “Memoriais e estátuas de homenagem a políticos conservadores, extremistas e populistas de direita norte-americanos. É isto que o Chega tem para oferecer a Odemira. Pessoalmente, enquanto odemirense, envergonha-me esta proposta, porque Odemira tem cidadãos que dedicaram anos da sua vida à comunidade e se queremos homenagear alguém não faltam exemplos de dedicação ao concelho e ao país”, disse Miguel Monteiro.

Também a bancada da CDU sublinhou que existem personalidades “largamente mais relevantes” em Odemira e, por isso, mais merecedoras de uma homenagem municipal. Os comunistas criticaram ainda Charlie Kirk por “colocar em causa todos os valores da liberdade de expressão, pensamento e do confronto democrático”. No mesmo sentido, o deputado Miguel Monteiro afirmou durante a sua intervenção: “Não nos deixemos enganar, não passarão!”. Por fim, o socialista sugeriu uma homenagem alternativa ao Chega: “Acho que o que devíamos propor é um memorial a esta proposta, para não nos esquecermos nunca mais que é isto que o Chega tem para propor em Odemira”.