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De pastelaria a cervejaria: histórica Vá-Vá reabre portas em Alvalade

Este artigo tem mais de 6 meses

Um ano depois de ter fechado, a antiga pastelaria Vá-Vá reabriu portas com uma nova gerência. O nome mantém-se, os emblemáticos azulejos também, mas muda o conceito: agora, é cervejaria.

A Vá-Vá abriu portas na Avenida Estados Unidos da América, em Alvalade, em 1958
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▲A Vá-Vá abriu portas na Avenida Estados Unidos da América, em Alvalade, em 1958

▲A Vá-Vá abriu portas na Avenida Estados Unidos da América, em Alvalade, em 1958

Foi ponto de encontro de atores, cineastas, músicos e, claro, vizinhos de Alvalade durante várias décadas desde a sua abertura em 1958. Desses tempos restam apenas as histórias, as memórias e os azulejos da artista portuguesa Menez que desde o início são símbolo da Vá-Vá. Depois de ter fechado portas em outubro do ano passado, a histórica pastelaria da cidade abre novamente ao público, mas, desengane-se quem pense que vai encontrar a vitrine recheada de bolos de sempre: Vá-Vá agora é cervejaria, de balcão central para beber imperial e petiscar um croquete.

Foi há sete meses que a nova gerência tomou conta. Depois de terem aberto o Ensaio Gastrobar, a cinco passos dali, no Teatro Maria Matos, Jorge Dias e os seus sócios viram na Vá-Vá a oportunidade de dar a Alvalade aquilo que sentiam que faltava: uma típica cervejaria portuguesa. Para isso foi preciso dar uma volta de 360 graus a este emblemático espaço, começando tudo do zero. “Nós quisemos trazer a Vá-Vá de volta às pessoas, de volta ao povo, e de volta àquilo que a Vá-Vá era antigamente”, explica Jorge Dias em conversa com o Observador, revelando que, durante os sete meses de obras, “o teto, cozinha, a zona lá fora e o balcão” foi tudo mandado abaixo e feito de novo. De espaço amplo, a Vá-Vá deixa de estar dividida entre steak house e pastelaria para passar a ser, desde o passado dia 23 de outubro, uma só cervejaria.

Já sabemos que nos podemos sentar ao balcão, que acolhe 12 lugares, mas há ainda 68 opções na sala e 40 na coberta esplanada. Por aqui, tanto se come um croquete (1,90 euros) com o clássico couvert (4 euros) de pão, azeitonas e manteiga, acompanhados por uma fresquinha das oito torneiras de cerveja (Sagres 20cL a 1,80 euros), como uma bela de uma refeição de guardanapo de pano ao colo das 12h00 às 00h00. Assinado pelo chef Carlos “Pipas” Maio, a carta da nova Vá-Vá vai dos petiscos às tradicionais especialidades sobremesas, passando pelo marisco, peixe e carne. Para começar, há peixinhos da horta com molho tártaro (9 euros), ovos rotos (12 euros) e com camarão (16 euros), prego no lombo (9 euros), amêijoas à bulhão pato (24 euros) e o futuro prato da casa: a tosta à Vá-Vá (8 euros), a criação do jovem chef que faz do pão brioche a cama do cachaço cozinhado em molho de cerveja e pimentão fumado, queijo de Azeitão e paiol de porco preto.

▲ Os ovos rotos com camarão da Vá-Vá

Antes de seguirmos para os principais é preciso perceber: porquê manter o nome? “Foi uma estratégia de marketing, mas não só”, começa por responder Jorge. “Não faria sentido ficar com isto sem manter o nome. É um espaço histórico. É como ficar com o Galeto e mudar de nome. Não faz sentido”, exemplifica. Apesar de não serem frequentadores do espaço antigo, afirmam que, enquanto lisboetas, têm um gosto especial “pelos espaços históricos da cidade que cada vez que estamos a perder mais, nós queremos revitalizá-los”. “Sabemos a importância que isto tem para as pessoas. E nós queremos retribuir também isso”, continua, revelando que desde a abertura têm tido clientes habituais da antiga Vá-Vá que reconhecem o trabalho que aqui foi feito. “Percebemos que antigamente tinha os sofás a ladear o espaço e um balcão grande e quisemos pegar nisso”, descreve. Com o cuidado de preservar a história, mantiveram apenas os vários azulejos pintados pela artista portuguesa Menez que desde 1958 decoram as paredes da Vá-Vá. “É tudo baseado nestas pinturas. Os tons da decoração vão todos para lá. Foi não estragar o que é o passado, o que é mítico, o que é conhecido e o que é importante“.

Com foco na “cerveja, cerveja, cerveja” querem ainda ser um espaço onde nos dias de bola a vizinhança passe por cá e aproveite as seis televisões que decoram as paredes. Entre golos, há espaço para um bacalhau à brás (22 euros), uma açorda de camarão (22 euros), um arroz de lingueirão (25 euros), umas ostras (9 euros/3 unidades), um lavagante grelhado (110 euros), umas bochechas de porco (19 euros), um bife do lombo com molho especial à Vá-Vá (25 euros) ou um t-bone de Angus (98 euros). Conforme o resultado do jogo, adoça-se ou não as vontades com um pudim abade de priscos (6 euros), um arroz doce (6 euros) ou um bolo de bolacha (6 euros).

“É uma cervejaria um bocadinho mais pintada, mas não para o lado do exagero. Nós queremos atingir a classe média, a classe baixa e também a classe alta”, comenta ainda um dos sócios. Na Avenida Estados Unidos da América, a Cervejaria Vá-Vá está todos os dias aberta das 12h00 às 00h00 com a cozinha sempre a funcionar.

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