A Jerónimo Martins continua a reforçar a sua área de negócio ligada à produção alimentar. Agora foi anunciado o acordo para entrar, através de um aumento de capital, na empresa norueguesa Norcod, que produz bacalhau em aquacultura.

Foi a Norcod que anunciou a entrada no seu capital da Jerónimo Martins, que irá subscrever, se os acionistas aprovarem, um aumento de capital de 157 milhões de coroas norueguesas (cerca de 13,5 milhões de euros), assumindo-se como segundo maior acionista. A assembleia-geral para aprovar essa operação está marcada para 26 de novembro, anunciou a Norcod, depois do conselho de administração ter dado luz verde ao negócio.

A Jerónimo Martins, através da sua subholding para a produção Jerónimo Martins Agro-Alimentar, subscreverá um aumento de capital no qual serão emitidas 12.707.454 novas ações, totalmente reservadas à empresa dona do Pingo Doce.

A empresa norueguesa considera que este “investimento” da Jerónimo Martins “é um grande marco para a Norcod, que permitirá acelerar significativamente a trajetória de crescimento da companhia, reforçando a base acionista e cimentando a fundação do que poderá evoluir para uma parceria estratégica de longo prazo com um dos grupos retalhistas europeu mais respeitados e bem sucedido”. A Nordoc também vê nesta aliança uma forma de expandir a sua rede de distribuição, garantindo-lhe uma plataforma internacional, já que a Jerónimo Martins tem presença em Portugal, Polónia e Colômbia.

Depois de concluída a operação, a Jerónimo Martins Agro-Alimentar irá colocar António Serrano, ex-ministro da agricultura e presidente dessa subholding, na administração da Nordoc.

A Nordoc produziu 8.300 toneladas de bacalhau em aquacultura no ano passado e faturou 34 milhões de euros. A Jerónimo Martins já tem presença nesta forma de produção em Sines, Algarve, Madeira, Noruega e Marrocos. A área da aquacultura começou a desenvolver-se em Sines em 2016, tendo criado a Seaculture para produzir robalo no Algarve, onde produz também dourada, peixe que, na Madeira, cria em aliança com uma empresa local. Em 2021 comprou a maioria de uma empresa em Marrocos para produzir robalo e dourada no mar Mediterrâneo. Mais recentemente entrou na empresa norueguesa de produção de salmão, a Andfjord Salmon.

Duas famílias milionárias e o império da fruta que muda de mãos. Como a Jerónimo Martins está a ganhar poder na cadeia alimentar