Desde que surgiu em 2014 para a primeira época de Fórmula E, esta competição disputada com fórmulas eléctricos alimentados por bateria, que foi promovida em 2020 a Campeonato do Mundo, não cessa de evoluir. Depois da Gen1 (Generation 1) ter estreado com um só motor no eixo traseiro com 250 cv, na época de 2014/2015 — a Fórmula E é disputada entre as épocas de F1, o que significa ter provas entre Dezembro e Agosto para não colidir com o pico da disciplina rainha do desporto automóvel —, evoluiu posteriormente para 340 cv na Gen2 (de 2017/2018) e 476 cv na Gen3 (2022/2023). Agora, para a época de 2026/2027, a Fórmula E prepara os fórmulas mais potentes e rápidos de sempre.
A Fórmula E tem sido, simultaneamente, uma disciplina do desporto automóvel muito interessante para o público (uma vez que é disputada nos centros das grandes cidades) e uma das mais interessantes para a indústria automóvel, tendo em conta que todos os construtores tentam melhorar os seus modelos eléctricos e a Fórmula E força o desenvolvimento da tecnologia de que necessitam.
Além de elevar a potência dos 476 cv da Gen3 para os 816 cv da Gen4 – o que é conseguido com a montagem de um motor por eixo, assegurando as vantagens da tracção integral -, os fórmulas eléctricos a utilizar em 2026 vão possuir uma maior capacidade de regeneração durante as travagens — de 700 kW em vez dos 600 kW da Gen3 e, sobretudo, dos 250 kW da Gen2 e dos 150 kW da Gen1. A enorme capacidade de regeneração permite ainda que os fórmulas de 2026 consigam completar a corrida com uma bateria com somente 55 kWh de capacidade, apesar de atingirem 337 km/h, em vez dos 322 km/h da Gen3 (ou 280 km/h da Gen2 ou 225 km/h da Gen1). Isto permite utilizar baterias mais pequenas e leves, para não limitar o desempenho e o comportamento do novo fórmula eléctrico, mas ainda assim aguentar toda a corrida sem necessitar de recarregar ou de trocar de veículo, como acontecia durante as primeiras quatro épocas da competição. Outra das alterações a introduzir pelos Fórmula E Gen4 é um maior apoio aerodinâmico, destinado a permitir maior aderência na travagem, aceleração e, sobretudo, em curva, tornando os veículos substancialmente mais rápidos numa volta ao circuito.
A Fórmula E de 2026 vai tornar-se mais sofisticada e dispendiosa, mas deverá continuar cativar o interesse da maioria das marcas, que na última e 12.ª época da competição reuniu 10 construtores. Todos eles com necessidade de obter um melhor domínio sobre a tecnologia dos 800V ou os motores eléctricos mais eficientes do mercado, entre outros trunfos que garantirão a capacidade de produzir melhores eléctricos num futuro próximo com os ensinamentos da Fórmula E. E as marcas envolvidas na Fórmula E vão continuar a retirar dividendos em termos tecnológicos, da Porsche à Jaguar, passando pela Nissan, DS, McLaren, Maserati e Cupra, entre outras.