Foi revelada esta quarta-feira uma troca de emails de 2015 entre Jeffrey Epstein e o jornalista Landon Thomas Jr onde é mencionado explicitamente que André Mountbatten Windsor terá tido “relações sexuais consensuais” com uma das funcionárias do malogrado magnata.

A informação, adiantada pelo The Telegraph, surgiu na sequência das tranches de emails que têm vindo a ser revelados no decurso das investigações ao caso Epstein, que alegadamente envolve a participação de membros da elite política e social internacional em esquemas de tráfico sexual e pedofilia levados a cabo pelo falecido empresário norte-americano.

A troca começa com um email de Epstein datado de janeiro de 2015 onde este, admitindo que a sua reputação estava a ser posta em causa devido a novas alegações surgidas depois da sua primeira condenação, equacionava recorrer a uma ex-namorada que viajava consigo para que esta provasse publicamente a sua inocência.

Em resposta a Epstein, Landon Thomas Jr. — jornalista de economia do The New York Times com quem o magnata mantinha uma relação próxima — respondeu que o seu real problema era a proximidade que tinha a André Mountbatten Windsor, visto que era o então duque de York quem estava a manter as alegações vivas.

“Acho que a grande questão é distanciares-te de André. Quero dizer, entendo porque é que uma declaração poderia ajudar de alguma forma, mas é André (não Clinton e os outros) que está a manter a história viva”, afirmou, incluindo uma referência ao ex-presidente dos EUA Bill Clinton, outro dos nomes de alto perfil na órbita desta caso.

É então que o jornalista faz referência direta a uma funcionária de Epstein com quem o ex-príncipe terá tido relações sexuais, tendo o seu nome sido omitido dos documentos. “Até que consigas chegar-te à frente e abordar o assunto, esta história continuará viva. Quero dizer, no final das contas, ele teve relações sexuais consensuais com [nome omitido]. E [nome omitido] trabalhava para ti”, acrescentou.

“Já seguiste em frente! As pessoas não sabem disso e podem não aceitá-lo, a menos que o digas”, termina Thomas Jr. O tema fica então por aí nessa troca de emails, sendo que Epstein não nega esta informação, optando antes por mudar de assunto.

Confrontado pelo Telegraph após a revelação deste documento, Thomas Jr. retorquiu que Epstein nunca lhe contou que a funcionária tinha tido relações sexuais com André, dizendo que estava apenas a repetir o que já tinha lido. “Ele nunca me disse que ela teve relações sexuais com André. Quando digo que ele teve relações sexuais com ela, relações sexuais consensuais, isso é apenas o que li na imprensa”, justificou.

Esta revelação acresce de interesse porque Thomas Jr. não era apenas uma pessoa conhecida de Epstein. O jornalista — que foi forçado a abandonar o NYT em 2019 por violação do código de ética do jornal — foi apanhado noutros emails a avisar o empresário quando descobriu que o jornalista John Connolly estava a investigá-lo para o seu livro Filthy Rich, publicado em 2016.

Não se sabe quem é esta alegada funcionária de Epstein, nem de que forma esta informação estará relacionada com o caso de tráfico sexual e pedofilia que tem ao centro o falecido empresário, mas parece atestar uma vez mais à relação de proximidade entre André e o magnata, que se suicidou na prisão em 2019.

Recorde-se que André foi arrastado para este caso devido às acusações de Virgina Giuffre, a mulher que o acusou de abusos sexuais quando era menor de idade e foi traficada por Epstein. O ex-príncipe sempre negou as alegações, mas a soma de provas comprometedoras levou-o a renunciar aos títulos reais em outubro.

De destacar ainda que, fruto dessa alegada relação com Epstein, André foi convocado a explicá-la ao Congresso dos EUA perante o principal comité de investigação da Casa dos Representantes, tendo com prazo para dar uma resposta formal a este pedido até esta quinta-feira, 20 de novembro.

André ainda não deu qualquer resposta, o que lhe tem valido acusações de se “estar a esconder” das eventuais perguntas dos congressistas norte-americanos. No entanto, também não se prevê que o faça: tal como a Sky News recorda, o ex-príncipe, sendo um cidadão britânico, não é obrigado a responder a este pedido e muito provavelmente não terá interesse em fazê-lo, visto que na única ocasião que respondeu a este caso em público resultou na desastrosa entrevista que deu ao programa Newsnight da BBC em 2019.