Um deputado norte-americano que lidera uma comissão de investigação ao caso de Jeffrey Epstein acusou o antigo príncipe André Mountbatten-Windsor de “se esconder” e de evitar prestar declarações sobre o assunto. A revelação surge a poucos dias de uma votação sobre a eventual divulgação de arquivos do Governo sobre o alegado traficante sexual, escreveu o Guardian.

O deputado democrata Suhas Subramanyam integra a equipa de democratas que supervisiona a comissão que, no inicio deste mês, pediu ao irmão do Rei Carlos III para prestar depoimento como parte da investigação à forma como o Governo lidou com o caso Epstein — que morreu em 2019, à espera de julgamento.

André, que renunciou aos títulos reais no mês passado, não respondeu ao pedido dos deputados, disse Subramanyam ao Guardian esta segunda-feira. O filho de Isabel II tem sido associado ao caso de tráfico sexual do empresário norte-americano Jeffrey Epstein, em particular com a história de Virgina Giuffre, que terá sido abusada sexualmente por André quando era menor de idade. Essas alegações terão estado na origem da decisão (após conversa com o irmão) de abdicar da ligação à realeza.

“[André] tem estado a esconder-se de nós. Eu acho que vai continuar a esconder-se das pessoas que fazem investigações significativas ao assunto”, acrescentou o deputado. O pedido surgiu depois de o ministro britânico Chris Bryant ter afirmado que André, “como qualquer cidadão comum”, deveria responder aos pedidos da comissão norte-americana.

O líder republicano de supervisão do comité divulgou mais de 20 mil e-mails relacionados com o caso, com alguns a detalharem a ligação de Epstein a Donald Trump, assim como outras personalidades influentes. Nos documentos há também provas de que a relação entre André e Epstein terá durado mais tempo do que se sabia.

“Parece que a cada nova evidência que encontramos, André aparece nos documentos. Se ele espera que a história simplesmente desapareça ao ignorar-nos e permanecendo em silêncio, ficará profundamente desapontado à medida que continuarmos a investigar o caso”, disse Subramanyam. Reconheceu, contudo, que as hipóteses de obrigar André a depor eram limitadas — os republicanos estão em maioria e nenhum deles assinou a carta a pedir o depoimento. Mesmo que os democratas reassumam o controlo da Câmara dos Representantes, André não poderá ser intimado a falar por ser estrangeiro.

André não é o foco da investigação do comité, mas o deputado ouvido pelo Guardian afirmou que o antigo príncipe continua a ser mencionado no caso e, por isso, sofrerá pressão para que preste depoimento. “Mesmo que não se apresente voluntariamente, pode haver outras pessoas próximas dele que se apresentem e nos forneçam informações”.

“Os documentos revelaram muitas informações nos últimos seis meses e vamos continuar a insistir na procura de provas e deixar que elas falem por si. Até agora, as evidências continuam a apontar para André”.

A Câmara dos Representantes deve votar na terça-feira um projeto de lei para obrigar a divulgação de documentos confidenciais do caso Epstein. Trump opôs-se à revelação, mas os Democratas (com quatro Republicanos) conseguiram votos suficientes para aprovar uma petição a forçar a votação. Na noite de domingo, Trump reverteu a decisão e pediu para ser aprovada pelos Republicanos.