O Tribunal de Cassação, o supremo tribunal de justiça francês, confirmou esta quarta-feira a condenação do ex-Presidente francês Nicolas Sarkozy no caso Bygmalion, sobre o financiamento ilegal da campanha às presidenciais francesas de 2012. A notícia é avançada por jornais franceses, como o Le Monde.
Sarkozy, Presidente entre 2007 e 2012, fica assim definitivamente condenado no caso que tem por base o recurso a faturas falsas para esconder gastos excessivos na campanha eleitoral que pretendia levar à sua reeleição. Os gastos terão atingido quase o dobro do valor máximo legal (cerca de 43 milhões de euros, quando o limite é 22,5 milhões) nas presidenciais de 2012, em que Sarkozy acabou por perder para François Hollande. No decurso do julgamento, o antigo chefe de Estado sempre negou conhecer ou ter beneficiado desse sistema de faturas falsas, denunciando “fábulas” e “mentiras”.
Ao contrário dos coarguidos, Sarkozy não foi acusado de participação direta no esquema de falsas faturas, mas como beneficiário de financiamento político ilícito e acabaria por ser condenado a 14 de fevereiro de 2024 pelo Tribunal de Recurso de Paris com uma pena de um ano de prisão e ainda seis meses de pena suspensa.
O ex-Presidente recorreu então para o Tribunal de Cassação. Sendo este o último recurso possível de acordo com a lei francesa, a condenação em segunda instância torna-se definitiva.
Esta é a segunda condenação criminal no registo de Sarkozy, depois das escutas no “caso Bismuth”, um processo separado relacionado com uma campanha eleitoral anterior. Nesse julgamento, Sarkozy foi acusado de corrupção e tráfico de influências por permitir que assessores tentassem angariar fundos para a sua campanha presidencial de 2007 junto do líder líbio Muammar Kadhafi.
Sarkozy, 70 anos, chegou a cumprir 20 dias na prisão de La Santé, em Paris, uma experiência que descreveu como um “pesadelo”, antes de ser libertado a 10 de novembro sob supervisão judicial, enquanto aguarda recurso também nesse caso.
Esses dias atrás das grades fizeram de Nicolas Sarkozy o primeiro líder francês do pós-guerra a ser preso. No próximo mês de dezembro, o antigo chefe de Estado publica um livro de memórias com base nesse período e cujo título é “Diário de um prisioneiro”, em tradução livre.