O ex-Presidente francês Nicolas Sarkozy foi esta segunda-feira libertado da prisão, depois de o Tribunal de Recurso de Paris ter aceitado o recurso que tinha sido apresentado pela sua equipa. Sarkozy estava preso desde o dia 21 de outubro, tendo passado, portanto, 20 dias na prisão. O antigo chefe de Estado ficará agora em prisão domiciliária.
“A lei foi aplicada. Agora, vou-me preparar para o recurso”, reagiu Sarkozy nas redes sociais, já depois de ter regressado a casa. “A minha energia está focada exclusivamente em provar a minha inocência. A verdade vai prevalecer. Isto é uma lição que a vida nos ensina. O final da história ainda está por escrever“, escreveu, numa publicação em que agradeceu o apoio e as mensagens que foi recebendo.
Au moment où je retrouve ma liberté et ma famille, je veux dire à toutes celles et ceux qui m’ont écrit, soutenu, défendu, combien je leur en suis reconnaissant. Vos milliers de témoignages m’ont bouleversé et donné la force de supporter cette épreuve.
Le droit a été appliqué.…— Nicolas Sarkozy (@NicolasSarkozy) November 10, 2025
Na audiência da manhã desta segunda-feira, o presidente do tribunal de recurso declarou “admissível o pedido de libertação”, cita a BFMTV. Assim, Sarkozy fica “sob controlo judicial”, proibido de entrar em contacto com o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, ou qualquer outro envolvido no caso, e proibido de abandonar o país.
O pedido de Sarkozy defendia a libertação enquanto decorre o recurso da sua condenação por financiamento ilegal da campanha eleitoral de 2007, utilizando fundos entregues pelo regime líbio de Muammar Kadafi.
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Esta segunda-feira, na primeira aparição pública de um antigo chefe de Estado francês na prisão, Nicolas Sarkozy, vestindo um casaco, uma camisola e uma camisa azul-escuro, compareceu por videoconferência a partir da prisão de La Santé, Paris, acompanhado de dois advogados, tendo descrito as semanas que passou na prisão como um “pesadelo”.
De acordo com o Le Monde, a defesa do antigo chefe de Estado francês sustentou que não existem motivos para manter o detido antes de o processo transitar em julgado. “A partir do momento em que ele entrou em detenção, os critérios que justificam essa detenção não se aplicam”, afirmou o advogado Christophe Ingrain, sublinhando que “exceto a vontade de mantê-lo detido a todo o custo, juridicamente não há critérios que justifiquem a sua manutenção em detenção”.
A mulher de Nicolas Sarkozy, a antiga modelo Carla Bruni, e dois dos filhos, Pierre e Jean, estiveram presentes na galeria reservada ao público, na sala de tribunal. A família reuniu-se poucas horas depois, por volta das 15h, quando Sarkozy foi conduzido da prisão de volta para a sua casa no 16.º bairro de Paris, acompanhado por um forte dispositivo policial. No regresso a casa, o antigo Presidente não fez qualquer declaração pública.
No dia 25 de setembro, o Tribunal Penal de Paris considerou que Sarkozy permitiu conscientemente que os assessores solicitassem o financiamento a Muammar Kadafi (1942-2011), líder líbio, em 2007. Nicolas Sarkozy apresentou um apelo de imediato, alegando que a sentença foi motivada por “ódio”.
O recurso de Nicolas Sarkozy enquadra a detenção nos critérios para a prisão preventiva, que diferem dos critérios para o cumprimento da pena. Segundo o artigo 144º do Código de Processo Penal de França, a prisão preventiva só é possível se for o “único meio” de proteger a prova, prevenir a pressão ou o conluio, prevenir a fuga ou a reincidência, ou proteger o próprio Sarkozy. Caso contrário, Nicolas Sarkozy terá de ser libertado sob supervisão judicial, possivelmente em prisão domiciliária com monitorização eletrónica.
Os advogados insistiram que Sarkozy sempre colaborou com a justiça e que se apresentou voluntariamente às autoridades. O próprio antigo Presidente reafirmou a sua inocência e denunciou aquilo que classifica como “uma campanha política” dirigida contra si.
O requerimento foi apresentado “minutos após a entrada de Sarkozy na prisão”, segundo fonte judicial citada pela imprensa francesa. A decisão estava prevista para o próprio dia, podendo agora Sarkozy sair em liberdade ainda esta segunda-feira ou na manhã de terça-feira.
Sarkozy, de 70 anos, começou a cumprir pena a 21 de outubro na prisão de La Santé, em Paris, após ter sido condenado a cinco anos de prisão, com execução imediata, no âmbito do chamado “caso líbio”, relacionado com alegados fundos provenientes do regime de Muammar Kadhafi.
A decisão do Tribunal de Recurso deverá manter-se em vigor até à primavera de 2026, altura em que está previsto que seja analisado o recurso da condenação.
Notícia atualizada às 20h15 com as declarações de Sarkozy nas redes sociais