O Presidente deposto da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, já foi libertado e chegou “são e salvo” ao Senegal, avança um comunicado do governo senegalês.
“Um avião foi fretado” pelo governo do Senegal para Bissau para transportar Umaro Sissoco Embaló para aquele país, referiu um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Integração Africana senegalês.
???????? Guinée-Bissau – Rapatriement du président Embaló au Sénégal
Le Président Diomaye a pris part ce jeudi au Sommet Extraordinaire de la CEDEAO sur la situation en Guinée-Bissau.
Un aéronef affrété par le Gouvernement du Sénégal s’est rendu à Bissau pour participer à une… pic.twitter.com/PklIdZ2yXh
— Vie-Publique SN (@ViePubliqueSN) November 27, 2025
“Umaro Sissoco Embaló chegou ao Senegal em segurança. O governo do Senegal reafirma a sua disponibilidade para trabalhar em conjunto com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, a União Africana e todos os parceiros envolvidos para apoiar o diálogo” na Guiné-Bissau, lê-se no comunicado.
O governo do Senegal pede ainda “estabilidade” e o “rápido restabelecimento” da ordem constitucional e legitimidade institucional na Guiné-Bissau.
A Guiné-Bissau tem um novo presidente — o da Transição Militar, Horta N’Tam —, que foi apontado esta quinta-feira. Numa declaração, em português, após ser investido pelo Alto Comando Militar para Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública, o político disse que “não foi uma opção fácil” a ação que resultou na tomada de poder do Estado pelas Forças Armadas guineenses.
“Não foi nada fácil, porque os militares que hoje integram o Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública sempre se distinguiram por uma conduta disciplinada, de acordo com os princípios constitucionais que orientam as Forças Armadas”, disse.
A ação dos militares visou estancar “uma ameaça crescente que podia por em causa a democracia e a estabilidade política do Estado guineense”, explicou, referindo-se a “uma ameaça portadora de ingerência do Estado, de desordem pública e da própria desintegração das instituições do Estado de direito democrático, ameaça essa que era preciso prevenir e travar”.
Horta N’Tam considera que a “crise política grave” que o país atravessa “é justificação suficiente” para a ação que as Forças Armadas desencadearam quarta-feira. E adiantou que contribuiu para a ação desencadeada “a intensa atividade desenvolvida por um conhecido narcotraficante que, aproveitando-se do processo eleitoral, procurava por todos os meios filtrar, manipular e, no limite, capturar a própria democracia guineense”.
O general Horta N’Tam foi empossado Presidente de transição da Guiné-Bissau, numa cerimónia que decorreu no Estado-Maior General das Forças Armadas guineense, um dia depois de os militares terem tomado o poder no país, antecipando-se à divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.
Os militares anunciaram a destituição do Presidente, Umaro Sissoco Embaló, suspenderam o processo eleitoral, os órgãos de comunicação social e impuseram um recolher obrigatório.
As eleições, que decorreram sem registo de incidentes, realizaram-se sem a presença do principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da disputa e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa.
Simões Pereira foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.