O Presidente dos EUA, Donald Trump, fez saber esta quinta-feira à noite através das redes sociais que pretende pôr fim à imigração para os EUA de pessoas proveniente de “países de terceiro mundo”, começando pelo fim dos benefícios e subsídios a cidadãos estrangeiros.
Desejando às pessoas “um feliz dia de Ação de Graças”, feriado celebrado nos EUA, Trump fez duas extensas publicações na sua rede social Truth Social, em que promete que o seu governo vai “acabar com todos os benefícios e subsídios federais para não cidadãos” e remover “qualquer pessoa que não seja um ativo líquido para os Estados Unidos”.
O presidente dos EUA diz também que quer “desnaturalizar migrantes que prejudiquem a tranquilidade interna e deportar qualquer cidadão estrangeiro que seja um encargo público, um risco à segurança ou incompatível com a civilização ocidental”, afirmando sem provas que o aumento da população imigrante tem contribuído para um aumento da criminalidade e para mais custos para o país.
Afirmando que os ganhos e as condições de vida da população norte-americana foram prejudicados “pelas políticas de imigração”, Trump anunciou a intenção de “suspender permanentemente a imigração de todos os países do terceiro mundo para permitir que o sistema dos EUA se recupere totalmente”.
Os textos de Trump não referiram especificamente o incidente que vitimou militares da Guarda Nacional, mas surgem no mesmo momento em que foi tornado público que Sarah Beckstrom, uma das militares da Guarda Nacional baleada no ataque perpetrado por um cidadão afegão em Washington DC na quarta-feira, não resistiu aos ferimentos e morreu. O outro soldado, Andrew Wolfe, está em estado crítico.
O atacante, Rahmanullah Lakanwal, entrou nos Estados Unidos em 2021 no decurso do programa que acolheu dezenas de milhares de afegãos após o regresso dos talibãs ao poder no Afeganistão e a caótica retirada dos EUA do país.
Por ter sido um programa aprovado durante a administração de Joe Biden, Trump acusa o seu antecessor de responsabilidade pelo ataque, assim como por ter permitido “milhões de admissões ilegais” durante a sua governação.
O programa de Biden apenas permitia aos aderentes que ficassem no país por um período de dois anos, não conferindo estatuto de imigração permanente. Por essa razão, Lakanwal fez um pedido de asilo que foi aprovado em abril deste ano, já durante o mandato de Trump.
O Presidente dos EUA não especificou que países pretende visar em específico além das comunidades somalis no Minnesota — sendo que, como recorda o The Guardian, Trump já tinha prometido acabar com o estatuto de proteção temporária para pessoas da Somália nesse estado na semana passada, ainda antes do ataque.
EUA suspendem pedidos de imigração de afegãos após ataque à Guarda Nacional
No rescaldo do ataque em Washington, foram suspensos todos os pedidos de imigração de afegãos com “efeito imediato” a partir desta quinta-feira, tendo os Serviços de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos informado que todos os processos de asilo vão permanecer suspensos “enquanto se aguarda uma nova revisão dos protocolos de segurança e verificação de antecedentes”.
Também esta quinta-feira, o chefe desta agência, Joseph Edlow, revelou que o Presidente lhe deu instruções para realizar “uma reavaliação completa e rigorosa de todos os ‘green cards’ [o visto permanente de residência] de todos os estrangeiros de todos os países que motivem preocupações”.
At the direction of @POTUS, I have directed a full scale, rigorous reexamination of every Green Card for every alien from every country of concern.
— USCIS Director Joseph B. Edlow (@USCISJoe) November 27, 2025
Segundo a BBC, essa lista decorre de uma proclamação realizada em junho, na qual se anunciou a intenção de “restringir e limitar totalmente a entrada de cidadãos” de 12 países: Afeganistão, Birmânia, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irão, Líbia, Somália, Sudão e Iémen. Além disso, foi também a “restrição e limitação parcial” da entrada de cidadãos de Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turquemenistão e Venezuela.
Edlow não revelou em que vai consistir esta “reavaliação”, prometendo apenas que os EUA e os seus cidadãos não vão “arcar com os custos das políticas imprudentes de relocalização do governo anterior. A segurança americana não é negociável”.