Nove derrotas em 12 jogos. O Liverpool atravessa uma crise sem paralelo nos últimos 70 anos e parece afundado num buraco negro sem hipótese de saída. Vindo de duas derrotas consecutivas na Premier League, mesmo com uma importante vitória contra o Real Madrid em Anfield pelo meio, os reds foram goleados em casa pelo PSV na Liga dos Campeões e não conseguiram esconder que nada parece estar bem no reino de Arne Slot.

Os quatro golos sofridos contra os neerlandeses provocaram reações naturais, expectáveis e duras, mas talvez nenhuma tenha sido tão clara como a de Curtis Jones, jovem médio que é formado no clube. “Sinceramente não tenho respostas. O que está a acontecer-nos é completamente inaceitável. Já passei o ponto de sentir raiva por dentro, agora estou num ponto em que simplesmente não tenho palavras. Estamos na m**** e isso precisa de mudar”, atirou o inglês de 24 anos.

Ainda assim, e apesar de o próprio Curtis Jones classificar como “inaceitável” o que se está a passar em Anfield, as últimas semanas têm trazido ao de cima uma análise mais humana do que futebolística ao momento do Liverpool. Depois de o jornal The Athletic escrever um longo artigo sobre o impacto da morte de Diogo Jota no plantel, principalmente em jogadores com Van Dijk, Robertson ou Salah, vários comentadores lembraram que este é ainda um grupo a passar por um doloroso período de luto.

“É totalmente válido dizer isso e é mesmo uma desculpa. Como é que podia não ser? Uma tragédia é uma tragédia. Quando perdes alguém da tua família… Não tens noção do impacto que isso pode ter na vida de qualquer pessoa. Acho que teve um impacto enorme neles e não acho que devam fugir à ideia de o assumir como desculpa”, disse Tim Sherwood, antigo internacional inglês, acrescentando que não pode ser esquecido que aqueles jogadores “perderam um dos irmãos”.

Ora, neste contexto, o Liverpool visitava este domingo o West Ham e tinha como objetivo claro evitar a quarta derrota consecutiva — até porque a imprensa inglesa garantia que Arne Slot dependia deste jogo e do próximo, quarta-feira contra o Sunderland, para manter o lugar. O treinador neerlandês deixava Salah no banco, algo que não acontecia desde abril de 2024, e colocava Florian Wirtz, Gakpo e Szoboszlai no apoio a Alexander Isak, sendo que Nuno Espírito Santo apostava em Callum Wilson como referência ofensiva, com o português Mateus Fernandes a ser titular no meio-campo.

Numa primeira parte que terminou sem golos, o Liverpool teve mais oportunidades para marcar e o West Ham jogou essencialmente à procura da transição rápida, ainda que se apresentasse organizado. Alexander Isak teve a primeira grande ocasião para marcar já depois dos 20 minutos, obrigando Alphonse Areola a uma boa intervenção (21′), e o guarda-redes francês acabou por tornar-se protagonista ao defender um remate de Mac Allister (30′) e outro de Florian Wirtz (39′). Ao intervalo, porém, estava ainda tudo empatado em Londres.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a lógica mantinha-se, com o Liverpool a ter mais bola mas de forma algo inconsequente e o West Ham a fechar-se muito bem para depois soltar a exploração da profundidade. Os londrinos foram crescendo, mesmo que sem finalizações enquadradas, mas foi precisamente enquanto atravessavam o pior período do jogo que os reds conseguiram abrir o marcador: na insistência depois de um canto, Gakpo cruzou rasteiro na esquerda e Isak atirou de primeira para se estrear a marcar pelo Liverpool na Premier League (60′). 

Arne Slot mexeu pouco depois, trocando Isak por Hugo Ekitike, e Nuno Espírito Santo respondeu ao lançar Luis Guilherme. O West Ham não reagiu ao golo sofrido e, apesar de longe de ser brilhante ou até entusiasmante, o Liverpool ia conseguindo resguardar a vantagem com relativa tranquilidade e sem passar por calafrios. Slot ainda tirou Florian Wirtz, que fez talvez a melhor exibição desde que chegou a Inglaterra, Lucas Paquetá foi expulso por acumulação de cartões amarelos por protestos e Gakpo fechou as contas nos descontos (90+2′). 

Depois de três derrotas consecutivas entre Premier League e Liga dos Campeões, o Liverpool voltou às vitórias e ultrapassou o West Ham em Londres, com Isak a ser o responsável por acender uma luz pequenina para que os reds comecem a cavar a saída de um buraco profundo.