Uma comissão do Vaticano, criada a pedido do Papa Francisco, e presidida pelo cardeal Giuseppe Petrocchi, excluiu a possibilidade de as mulheres poderem ser diaconisas. A votação terminou 7 a 1, embora se confirme que, neste momento, não é possível “formular um julgamento definitivo”.
A comissão em causa é presidida pelo arcebispo emérito de Áquila, cardeal Giuseppe Petrocchi, e foi criada em abril de 2020, a pedido do Papa Francisco, já depois de uma outra liderada por Luis Ladaria Ferrer e que teve início em 2016. O objetivo, segundo o Papa, era “continuar a estudar” e “ver como era o diaconato permanente na Igreja primitiva”.
Praticamente seis anos depois foi publicado um relatório que dá conta das conclusões que transmitidas ao Papa Leão XVI, desde logo o facto de ter sido excluída a possibilidade de prosseguir na direção da admissão das mulheres ao diaconato. No documento pode ler-se que, perante a pesquisa histórica e de investigação teológica, se “exclui a possibilidade de prosseguir na direção da admissão de mulheres ao diaconato entendido como grau do sacramento da ordem”.
“À luz da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério eclesiástico, esta avaliação é forte, embora não permita, até o momento, formular um julgamento definitivo, como no caso da ordenação sacerdotal”, acrescenta a comissão no relatório datado de 18 de setembro, tendo em conta uma decisão de sete votos a favor e um contra.
Numa outra sessão, a comissão manifestou-se a favor da instituição de novos ministérios que “possam contribuir para a sinergia entre homens e mulheres”.
Já no Sínodo dos Bispos realizado em outubro de 2024 tinha-se chegado à conclusão de que, para já, ainda não havia margem para introduzir na Igreja Católica a possibilidade de ordenar mulheres como diaconisas.
Atualmente, o acesso ao sacramento da ordem é exclusivamente reservado a homens, uma tradição que a Igreja Católica diz ter as suas raízes no facto de Jesus Cristo apenas ter escolhido homens como discípulos. Porém, nas últimas décadas, tem-se consolidado entre os teólogos a ideia de que, em teoria, não há qualquer impedimento teológico para o acesso das mulheres ao sacramento da ordem. Na verdade, noutras denominações cristãs — com destaque, por exemplo, para a Igreja Anglicana e para várias igrejas protestantes do centro e norte da Europa — as mulheres já têm acesso ao sacramento da ordem, sendo comum encontrar diaconisas, sacerdotisas e até bispas nessas igrejas.
Nos últimos anos, à boleia das lutas pela igualdade de género e pela emancipação feminina, também na Igreja Católica começaram a organizar-se os movimentos em defesa da ordenação de mulheres, que conseguiram pelo menos uma vitória: abrir, finalmente, espaço para a discussão teológica ao mais alto nível sobre o assunto, com o Papa Francisco a procurar saber se a ordenação diaconal de mulheres respeitaria a herança histórica do cristianismo ou não.