O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já pode libertar os documentos, até agora não revelados, da investigação feita a Ghislaine Maxwell, a namorada e cúmplice de longa data de Jeffrey Epstein, que está a cumprir uma pena de prisão de vinte anos por crimes como tráfico sexual de menores.
A decisão do juiz Paul A. Engelmayer, de Manhattan, Nova Iorque, surge na sequência da lei que o congresso norte-americano aprovou e que determinava a divulgação de todos os documentos do caso Epstein, como recorda o New York Times.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, tinha entretanto entregado uma moção em que pedia a divulgação dos documentos relativos à investigação sobre Maxwell. Fez o mesmo pedido para as investigações a Epstein, que morreu na prisão em 2019, mas ainda não há uma decisão sobre esse requerimento.
O juiz explicou esta terça-feira que teve cuidado para “proteger as vítimas da divulgação inadvertida de documentos que as identificassem e invadissem a sua privacidade”, estando certo de que os documentos que serão agora revelados “não irão revelar qualquer informação nova e consequente”, cita a NBC.
Como o New York Times frisa, no verão passado os mesmos juízes a quem estes pedidos foram agora apresentados tinham recusado revelar os documentos, por estar em causa o sigilo garantido em processos decididos por um júri. Agora, com a nova lei aprovada pelo congresso, os pedidos voltaram a ser submetidos.
Segundo estes pedidos, há pressupostos para a regra do sigilo, como a proteção de pessoas que ainda não foram condenadas, que já não se aplicam aqui. Além disso, a nova lei proíbe que sejam escondidas informações por motivos de “embaraço, dano reputacional ou sensibilidade política”.
O que se pode, sim, esconder é informação que possa identificar as vítimas ou revelar informações médicas pessoais. Falta agora saber qual será a decisão relativa às informações que têm a ver com o julgamento do próprio Epstein, e que permanecem secretas.