O prazo para executar o plano de reestruturação está a terminar, mas a TAP ainda admite realizar a venda das participações na Cateringpor e na empresa de handling. A conclusão destas operações vai deslizar para 2026, mas pode acontecer antes da privatização da própria TAP cujo processo deverá estar concluído daqui a um ano.

A hipótese foi posta em cima da mesa pelo presidente executivo da transportadora durante um encontro com jornalistas realizado esta terça-feira. Luís Rodrigues diz que foi o Governo que definiu o perímetro dos ativos a privatizar — e que excluem a Cateringpor e a participação na atual Menzies. A alienação destes ativos era uma das condições impostas pela negociação com a Comissão Europeia que ficou plasmada no plano de reestruturação, mas o tempo foi passando sem que as operações fossem concretizadas.

Questionado sobre o cumprimento do prazo previsto, Luís Rodrigues reconhece que a venda pode derrapar, mas também admite que seja anunciada “uma intenção” para depois completar a operação logo que possível”. O gestor justifica que não houve condições fazer tudo (o que previa o plano de reestruturação) logo.

TAP sem pressa para vender Cateringpor. Bruxelas avisa que alienação deve acontecer até final de 2025

A TAP é a acionista maioritária da Cateringpor. A participação de 51% na empresa de catering foi adquirida pela TAP SA a uma participada da antiga TAP SGPS (empresa que está em insolvência) há um ano. Mais recentemente foi noticiado um processo de despedimento coletivo na empresa cujo principal cliente continua a ser a TAP. A Cateringpor tem como acionista minoritária uma empresa suíça, a Gate Gourmet.

Já no caso da Menzies, antiga Grounforce, foi uma empresa que passou por um processo de recuperação judicial e que encontrou um novo investidor maioritário, o grupo Menzies. Entretanto, a empresa poderá vir a perder o seu grande ativo, que é a licença para operar no aeroporto de Lisboa, depois de a sua proposta ter ficado em segundo lugar no relatório preliminar elaborado por este concurso. Este relatório foi contestado por vários concorrentes e ainda não existe uma data para o desfecho deste processo, o que levou o Governo prolongar a licença de concessão da Menzies por alguns meses.

O fim do plano de reestruturação da TAP e a avaliação do cumprimento das principais metas terá de ser avaliado ainda pela Comissão Europeia num processo que envolve interações com o Estado português. Este processo vai decorrer nos próximos meses, ao mesmo tempo os candidatos à privatização da TAP vão avaliar a empresa e apresentar propostas.

Se for considerado cumprido, a TAP fica livre de algumas restrições à operação, nomeadamente o limite de 99 aviões e a interdição de comprar outras empresas.

Sobre o processo de privatização em curso, o CEO mostrou-se otimista porque “a TAP está em boa forma”, apesar de ter problemas como outras empresa. Luís Rodrigues lembrou que na primeira tentativa feita em 2012 só apareceu um candidato que não foi aceite pelo Governo — o empresário Germán Efromovich falhou a entrega de uma caução — e que em 2015 apareceu um concorrente que não era de primeira linha — David Neeleman. Agora apareceram os três maiores grupos europeus.