A família de Narges Mohammadi, Nobel da Paz em 2023 e que foi detida na passada sexta-feira no Irão, denunciou nas redes sociais que a ativista iraniana foi alvo de espancamentos e insultos na prisão. Através de um comunicado partilhado pela Fundação Narges no X, as famílias da ativista e de outros dos 39 detidos durante a cerimónia em Mexede em homenagem ao advogado Khosrow Alikordi, encontrado morto na semana passada no seu escritório em circunstâncias por apurar.
“A família de Narges Mohammadi e algumas outras famílias dos detidos disseram que, desde as detenções violentas acompanhadas de espancamentos, insultos e linguagem abusiva, não têm informações sobre o estado de saúde, local de detenção ou condições de seus entes queridos, e os detidos foram privados dos seus direitos básicos, incluindo o direito de acesso a um advogado”, diz a partilha. O texto cita ainda os nomes de 16 dos detidos: Javad Alikordi, Sepideh Gholian, Pouran Nazemi, Hasti Amiri, Aliyeh Matlabzadeh, Hassan Bagheri-Nia, Abolfazl Abri, Ali Adinezadeh, Reza Adinezadeh, Habib Fadaei, Kamal Jafarizadeh, Nora Haghghi, Davoud Alikordi, Ahmad Alikordi, Heydar Chah-Chamani, Mohammad-Hassan Sadeghian.
صدای بازداشتشدگان مراسم هفتم خسرو علیکردی در مشهد باشیم
— Narges Mohammadi | نرگس محمدی (@nargesfnd) December 13, 2025
حسن همتیفر، دادستان عمومی و انقلاب مشهد، از بازداشت ۳۹ نفر در مراسم هفتم #خسرو_علیکردی، وکیل دادگستری جانباخته، خبر داده و جواد علیکردی، نرگس محمدی و سپیده قلیان را متهم کرده است که «با رفتن روی یک دستگاه خودرو و بیان…
Hassan Hosseini, governador de Mexede, declarou que a detenção temporária “foi realizada por ordem do Ministério Público e teve como motivo a expressão de slogans que violavam as normas”. “As observações do governador de Mexede sobre a natureza ‘inflamatória’ dos discursos de Alikordi, Mohammadi e Gholian, e a atribuição a eles de acusações de ‘perturbar a ordem pública’, representam uma nova narrativa na fabricação de casos para justificar a supressão e as detenções ilegais de ativistas da sociedade civil; a detenção ilegal e a construção de casos contra esses ativistas civis e políticos deve terminar imediatamente e incondicionalmente, e os seus direitos fundamentais devem ser salvaguardados sem demora”, lê-se no comunicado partilhado pela Fundação Narges. “O acesso imediato e completo às instalações médicas deve ser fornecido, queixas independentes e imparciais devem ser registadas contra os responsáveis pelas agressões, ameaças e insultos aos detidos, e todos os detidos feridos devem ser enviados ao centro de medicina legal sem demora para evitar o apagamento de evidências de violência e crime e para garantir que a possibilidade de recurso legal efetivo não seja negada”, conclui o texto.
A ativista já foi detida 14 vezes (a contar com a mais recente) e condenada em nove ocasiões. Mohammadi passou mais de uma década na prisão de Evin, onde foi várias vezes espancada. As várias tentativas de silenciar a ativista criaram uma onda de protestos em 2022 e no ano seguinte acabou por ser reconhecida com o Prémio Nobel da Paz “pela sua luta contra a opressão das mulheres no Irão e pela promoção dos direitos humanos e da liberdade para todos”.
Nas redes sociais, Maria Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz deste ano, reagiu à detenção de Mohammadi. “Ela não foi presa por um crime. Foi detida pela sua coragem, por se recusar a aceitar a humilhação como destino e por defender a igual dignidade das mulheres e os direitos básicos de todo o ser humano. O nome de Narges Mohammadi tornou-se um escudo para inúmeros iranianos que foram instruídos a viver em silêncio. A República Islâmica entende o que as ditaduras sempre entendem: uma voz destemida, uma vez ouvida, não pode não ser ouvida. É por isso que atacam em público. É por isso que escolhem a brutalidade. Querem ensinar a toda uma sociedade que até o luto é proibido quando se torna solidariedade. Esta detenção é uma confissão de medo”, escreve.
Yesterday, Iranian security forces violently arrested Nobel Peace Prize laureate Narges Mohammadi (@nargesfnd) while she attended a memorial ceremony for the human rights lawyer Khosrow Alikordi. She was not arrested for a crime. She was seized for her courage, for refusing to… https://t.co/SxCGbhOcoC
— María Corina Machado (@MariaCorinaYA) December 13, 2025