Narges Mohammadi, vencedora do Prémio Nobel da Paz em 2023, foi detida novamente pelas forças iranianas, avançou a AFP, que citou uma mensagem do marido da ativista publicada esta sexta-feira nas redes sociais, e confirmaram as autoridades do Irão em comunicado. A iraniana estava a assistir a uma cerimónia de homenagem a um advogado que foi encontrado morto no seu escritório este mês.
“Esta detenção temporária foi realizada por ordem do Ministério Público e teve como motivo a expressão de slogans que violavam as normas”, declarou Hassan Hosseini, governador de Mexede, na província de Coração Razavi, no nordeste do Irão, próximo das fronteiras com o Afeganistão e com o Turquemenistão.
Citado pelo diário local Jorassan, Hosseini explicou que o Conselho de Segurança da cidade tinha previamente coordenado a presença destas pessoas no funeral de Khosrow Alikordi, advogado de direitos humanos encontrado morto na semana passada, realizado numa mesquita em Mexede, “sob o compromisso de realizar o evento num ambiente tranquilo”.
No entanto, argumentou, “um grupo não respeitou esse ambiente e começou a entoar palavras de ordem fora da mesquita”, pelo que o Ministério Público acabou por intervir, detendo Mohammadi e outras pessoas “para evitar problemas maiores” e com o objetivo de “proteger os próprios detidos”. “Outras fações poderiam ter reagido e provocado confrontos”, acrescentou o governador.
Horas antes, a Fundação Narges Mohammadi, citada pela agência France-Presse (AFP), anunciou “ter recebido informações credíveis de que Narges Mohammadi foi violentamente detida pelas forças de segurança e pela polícia, durante a cerimónia do sétimo dia em memória de Khosrow Alikordi”.
A partir de Paris, onde está exilado, Taghi Rahmani denunciou que a mulher tinha sido detida com outras pessoas. “Narges Mohammadi, Sepideh Qolyan e várias outras pessoas foram presas em Mashhad”, escreveu.
نرگس محمدی و سپیده قلیان و چند نفر دیگر در مشهد بازداشت شدند..
— TAGHI RAHMANI (@RahmaniTaghi) December 12, 2025
Narges Mohammadi estava em liberdade provisória por motivos de saúde desde que foi libertada em dezembro de 2024. Na altura tinha uma licença de 21 dias para tratar da remoção de um tumor na perna, mas o prazo da suspensão terminou e a ativista nunca voltou à prisão. “Não acho que deva estar presa e não voltarei à prisão”, chegou a dizer depois de os seus advogados terem pedido uma prorrogação da licença.
Taghi Rahmani: “O regime iraniano está podre, mas vão massacrar Narges na prisão”
A ativista já foi detida 14 vezes (a contar com a mais recente) e condenada em nove ocasiões. Em entrevista à agência Efe, contou ter passado vários meses em celas do tamanho de um “túmulo”, mas que tudo valia a pena pela liberdade dos iranianos.
Mohammadi passou mais de uma década na prisão de Evin, onde foi várias vezes espancada. As várias tentativas de silenciar a ativista criaram uma onda de protestos em 2022 e no ano seguinte acabou por ser reconhecida com o Prémio Nobel da Paz “pela sua luta contra a opressão das mulheres no Irão e pela promoção dos direitos humanos e da liberdade para todos”. Para a iraniana de 53 anos, a maior dor que carrega é a distância dos filhos gémeos que não vê há dez anos.
“Mulheres, vida, liberdade.” Ativista iraniana Narges Mohammadi vence o Nobel da Paz 2023