O congressista republicano James Comer ameaça abrir um processo por desacato ao Congresso contra Bill e Hillary Clinton se o casal não comparecer no Capitólio para depor nos dias 17 e 18 de dezembro, ou agendar uma data no início de janeiro. O antigo Presidente dos EUA e a antiga secretária de Estado tentam evitar ir ao congresso norte-americano para depor acerca do caso Epstein há pelo menos três meses, revela o New York Times, com base na troca de cartas entre o advogado do casal e o congressista, que é o presidente da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes. O processo pode resultar numa multa de até 100 mil euros e até um ano de prisão.

O congressista também intimou outros oito oficiais das forças de segurança, mas apenas um prestou depoimento presencialmente, o antigo procurador geral William P. Barr, que estava em exercício quando Epstein foi investigado, acusado e morreu por suicídio dentro da prisão, em 2019. Todos os outros foram dispensados pelo presidente republicano da comissão.

Clinton aparece ao lado de Epstein e Ghislaine Maxwell numa das fotografias divulgadas recentemente pela comissão. O ex-Presidente já assumiu ter conhecido o acusado de tráfico sexual mas nega ter visitado a sua ilha privada e diz ter cortado qualquer contacto há 20 anos. De acordo com os registos de vôo do jato particular de Epstein, Bill Clinton viajou quatro vezes para fora do país na aeronave, entre 2002 e 2003. “Dado o que se tornou público muito tempo depois, ele já demonstrou arrependimento até por esta associação limitada”, escreveu o advogado do casal Clinton, David Kendall, que se tem correspondido com James Comer há meses.

O advogado do casal diz ainda que não entende o motivo para Hillary Clinton ter sido intimada. Comer justifica na intimação que um sobrinho de Ghislaine Maxwell trabalhou para a antiga secretária de Estado durante as primárias, em 2008, e posteriormente no departamento de Estado. Contudo, Kendall assegura que Hillary não sabia que o funcionário, Alexander Djerassi, era da família de Maxwell.

Os Clinton foram intimados pela primeira vez no início de agosto. Kendall enviou três cartas a explicar em detalhes os argumentos que justificariam a dispensa dos Clinton, e reuniu-se com o congressista republicano uma vez, a 30 de setembro. Já James Comer terá respondido com novas ameaças de que abriria o processo por desacato se o casal não comparecesse para depor. “O antigo Presidente e a antiga secretária de Estado atrasaram, obstruíram e ignoraram amplamente os esforços desta comissão em agendar um depoimento”, escreveu Comer num comunicado divulgado na passada sexta-feira.

Antes, Kendall acusou o congressista de “usar investigações legislativas como arma e direcionar processos criminais” aos Clinton, e que o casal não estava a ter o mesmo tratamento que os outros intimados. “O Presidente Trump tem tentado consistentemente desviar as atenções da sua própria relação com Epstein e infelizmente a comissão parece ser complacente”, escreveu o advogado dos Clinton numa das cartas direcionadas ao presidente da comissão do Congresso responsável por divulgar os ficheiros Epstein.