Os democratas da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes divulgaram esta sexta-feira um conjunto de fotografias que pertencem ao espólio de Jeffrey Epstein, revelando a presença de várias figuras influentes no círculo do milionário condenado por tráfico sexual. Entre elas, estão o Presidente norte-americano, Donald Trump, Bill Clinton e Bill Gates. De acordo com os democratas, citados pelo Politico, as imagens agora conhecidas reforçam que Epstein esteve ligado, no passado, a um conjunto de “pessoas poderosas e de elevado perfil”.
Uma das fotografias mostra o que parece ser uma taça com preservativos com a caricatura de Trump. Cada embalagem, à venda por 4,50 dólares (cerca de 3,80 euros no câmbio atual), tinha a frase “I’m Huuuuge” (sou enorme, em português). Nas imagens, aparecem também vários brinquedos sexuais.
Noutra fotografia, o líder dos Estados Unidos surge com seis mulheres com colares havaianos ao pescoço, cujos rostos foram tapados pela Comissão de Supervisão. Entre os registos, aparece ainda Steve Bannon, antigo conselheiro de Donald Trump, ao lado de Epstein a posar para um espelho.
Bill Clinton, antigo Presidente norte-americano, também aparece ao lado do milionário e de Ghislaine Maxwell, companheira e cúmplice de Jeffrey Epstein. O antigo CEO da Microsoft, Bill Gates, o antigo presidente de Harvard, Larry Summers, o advogado Alan Dershowitz, André Windsor, antigo príncipe britânico, e Richard Branson, fundador do Grupo Virgin, surgem também em várias fotografias.
Mais tarde, foram reveladas mais algumas fotografias, incluindo uma imagem de Epstein numa banheira ou uma selfie.
A Comissão sublinha, no entanto, que nenhuma das imagens divulgadas retrata comportamentos de natureza sexual, nem se acredita que envolvam menores, e que não é claro quando, onde ou por quem é que foram captadas. Foram disponibilizados vídeos e fotografias solicitados, “tirados em qualquer propriedade detida, alugada, operada ou usada por Epstein entre 1 de janeiro de 1990 e 10 de agosto de 2019”.
A divulgação resulta da investigação em curso, dominada pelos republicanos, que afirmam já ter recebido “dezenas de milhares” de documentos e emails provenientes do espólio do milionário. Robert Garcia, líder democrata na Comissão de Supervisão, sublinhou em comunicado, citado pela CNN que este lote divulgado tinha, para além de “milhares de fotografias de mulheres e das propriedades”, “mais de 95 mil fotografias, incluindo imagens de homens ricos e poderosos que passaram tempo com Jeffrey Epstein”.
Para Garcia, “é tempo de acabar com esta ocultação da Casa Branca e garantir justiça às sobreviventes de Epstein e aos seus amigos poderosos”. O congressista defendeu, ainda, que as fotografias agora conhecidas “colocam ainda mais questões sobre Epstein e as suas relações com alguns dos homens mais poderosos do mundo”. “Não descansaremos até que o povo norte-americano conheça a verdade. O Departamento de Justiça tem de divulgar todos os ficheiros, já“.
Bill Clinton nunca foi acusado de qualquer crime relacionado com o empresário e um porta-voz voltou a reiterar que o antigo Presidente “rompeu relações com Epstein antes da sua detenção, em 2019″, desconhecendo as suas atividades criminosas. Também Bill Gates reafirmou que Epstein “nunca trabalhou” para ele.
As ligações entre Trump e Epstein são conhecidas há anos. Ambos frequentaram os mesmos círculos sociais em Manhattan e Palm Beach. O agora Presidente norte-americano nunca foi acusado de qualquer crime no âmbito destes casos e a sua equipa tem descrito Epstein como “um tipo repugnante” que Trump expulsou do seu círculo. Nas últimas semanas, emails divulgados pela Comissão mostraram Epstein a alegar que Trump “passou horas” com Virginia Giuffre, uma das vítimas de abuso sexual do milionário.
Perante estas declarações, Trump e a Casa Branca classificaram o assunto como “uma farsa”, com a porta-voz presidencial, Karoline Leavitt, a afirmar que os emails “não provam absolutamente nada, exceto que o Presidente Trump não fez nada de errado”.
Algumas das figuras que agora aparecem nas fotografias sofreram consequências ao nível profissional, apesar de não terem sido acusadas de qualquer crime. É o caso de Larry Summers, que suspendeu a atividade letiva em Harvard e demitiu-se do conselho da OpenAI, dizendo que se sente “profundamente envergonhado” por ter mantido o contacto com Epstein.