A iRobot, a empresa norte-americana que fabrica os aspiradores robô Roomba, declarou falência este domingo. Em comunicado, a empresa revelou que avançou para um processo de proteção contra credores nos EUA, o chamado Chapter 11, esperando concluir este procedimento até fevereiro de 2026. No âmbito deste processo já garantiu que será comprada por uma companhia chinesa.
A empresa já tinha sinalizado que estava a enfrentar uma situação financeira delicada, devido à crescente concorrência chinesa e também pela pressão causada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A iRobot fabrica a maioria dos produtos no Vietname, nota a BBC, e os EUA aplicam uma tarifa de 46% às importações vindas desse mercado.
Assim, além de anunciar a falência, a empresa detalhou que os ativos vão ser comprados por uma fabricante chinesa: a Picea, que é composta pela Picea Robotics de Shenzhen e pela Santrum de Hong Kong. Esta entidade é já a principal fornecedora dos Roomba, disse a iRobot no comunicado. A Picea tem fábricas na China e no Vietname e já fabricou mais de 20 milhões de aspiradores.
A empresa chinesa ficará com a totalidade dos ativos da iRobot, com a dona dos Roomba a frisar que tal permitirá “aliviar o balanço da empresa e permitir que a iRobot continue a operar normalmente, a seguir o seu mapa de desenvolvimento de produtos e a manter a sua presença internacional”.
A iRobot esclareceu que, apesar da falência, “irá continuar a operar normalmente, sem antecipar disrupções às funcionalidades da aplicação” que permite controlar os aspiradores, “aos programas de clientes, parcerias globais, relações com a cadeia de abastecimento ou com o apoio técnico” aos clientes.
Atualmente, a iRobot é uma empresa cotada, integrando o índice tecnológico Nasdaq em Wall Street. Quando a aquisição esteja concluída, a iRobot sairá da bolsa. Na nota divulgada, a empresa explicou que não é expectável que os donos de ações da empresa recebam “qualquer participação na empresa reorganizada”. Também especificou que os donos de ações da empresa vão sofrer “uma perda total e não recuperarão o investimento, caso o plano de Chapter 11 seja aprovado pelo tribunal” do Delaware.
A empresa foi fundada em 1990, por três estudantes do norte-americano MIT, ligados ao laboratório de robótica. O primeiro aspirador Roomba só chegou ao mercado mais tarde, em 2002. Segundo a empresa, foram vendidos mais de 50 milhões de Roomba em todo o mundo.
No mês passado, quando apresentou resultados ao mercado, a iRobot revelou um prejuízo de 131,6 milhões de dólares, o equivalente a 112 milhões de euros. No mesmo período de 2024, a empresa tinha prejuízos de 68,4 milhões de dólares (58,2 milhões de euros). Na altura, a empresa reportou uma queda de 33% nas vendas dos EUA — o seu maior mercado, com uma quota de 42% —, uma queda de 13% na região Europa, Médio Oriente e África (EMEA) e outra de 9% no Japão. Após os resultados, Gary Cohen, CEO da empresa, falou sobre “pressões de mercado, atrasos de produção em curso e disrupções imprevistas no transporte” de equipamentos.
Além do contexto global, a dona da Roomba também sofreu um golpe quando não foi autorizada a concluir a transação com a Amazon. Em agosto de 2022, foi anunciado que a Amazon queria comprar a iRobot por 1,7 mil milhões de dólares. Em janeiro de 2024, a União Europeia chumbou o negócio, argumentando que a Amazon iria ter um duplo papel caso a operação avançasse: tornar-se-ia fabricante de um produto que também vende no seu marketplace. Devido ao chumbo do negócio, a iRobot anunciou na altura o despedimento de 350 pessoas.
Amazon já não vai comprar a iRobot. Dona dos aspiradores Roomba vai despedir 350 pessoas