A Amazon já não vai comprar a iRobot, a empresa responsável pelos aspiradores autónomos Roomba. O negócio de 1,7 mil milhões de dólares, que foi anunciado em agosto de 2022, cai devido a questões regulatórias na União Europeia, explicam as duas empresas em comunicado.

Amazon volta a ir às compras e dá 1,7 mil milhões pela dona dos aspiradores robô Roomba

A Amazon e a iRobot entraram num acordo para pôr fim à operação, que “teria permitido à Amazon investir em inovação contínua da iRobot e apoiar a empresa na baixa de preços dos produtos” Roomba, é dito na nota divulgada esta segunda-feira.

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“Estamos desapontados pela aquisição da iRobot pela Amazon não poder avançar”, diz David Zapolsky, vice-presidente sénior da Amazon SVP e conselheiro-geral. O responsável da Amazon diz que a gigante de comércio eletrónico e a dona dos Roomba estavam “entusiasmadas por ver o que as empresas iam construir juntas”.

Com o fim do negócio, que cai por “não estar no caminho de uma aprovação regulatória na União Europeia”, a Amazon considera que “os consumidores vão ver negada inovação mais rápida e preços mais competitivos”. É ainda dito que estes “obstáculos regulatórios desencorajam os empreendedores”, refere David Zapolsky.

Além do fim do negócio, a dona dos aspiradores Roomba anunciou um plano de reestruturação, que passa por despedimentos. A empresa vai ficar com menos 350 funcionários, “que representam 31% do total que tinha a 30 de dezembro de 2023”. Ao desfazer-se de quase um terço dos funcionários a companhia antecipa custos de reestruturação entre “12 a 13 milhões de dólares”, principalmente devido aos custos de compensação aos trabalhadores.

Haverá ainda uma mudança na liderança, já que Colin Angle, o CEO da empresa, vai afastar-se ao fim de mais de três décadas na companhia, uma decisão que tem efeitos imediatos. Glen Weinstein, vice-presidente executivo da iRobot e diretor legal é o sucessor.

Vestager comenta fim do negócio. Amazon ia “ter papel duplo”

Margrethe Vestager, vice-presidente executiva da Comissão Europeia e responsável pela pasta da Concorrência, emitiu um comunicado onde menciona as objeções levantadas por Bruxelas ao negócio a 27 de novembro.

Vestager lembra que a iRobot “é um dos principais fabricantes de aspiradores robôs na Área Económica Europeia e notavelmente em vários Estados-membros”. Por outro lado, recorda que a Amazon “é tanto uma retalhista como um marketplace online” com presença em vários pontos da Europa.

Regulador norte-americano quer investigar compra da dona da Roomba pela Amazon

A Comissão Europeia justifica que analisaram atentamente o “papel duplo da Amazon como operador de uma plataforma e um participante do mercado” caso o negócio avançasse. “A investigação aprofundada mostrou preliminarmente que a aquisição da iRobot ia permitir à Amazon limitar os rivais da iRobot ao restringir ou degradar o acesso às lojas da Amazon”, nota Vestager, que acredita que a empresa poderia usar táticas como a “redução da visibilidade de aspiradores robô rivais” no site. 

Assim, a Comissão Europeia considera que as várias estratégias que poderiam ser usadas pela Amazon “limitariam a concorrência no mercado de aspiradores robôs, levando a preços mais altos, menor qualidade e a menos inovação para os consumidores”.

(Atualizado às 17h09 com informação da Comissão Europeia)