A Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) suspendeu Paulo Abreu dos Santos, o ex-adjunto no Ministério da Justiça detido e colocado em prisão preventiva por alegado abuso sexual de duas crianças.

Em comunicado enviado esta segunda-feira às redações, a instituição universitária salientou que o caso em torno do professor convidado “provocou profunda consternação na comunidade académica“, pelo que “decidiu suspender o seu vínculo de emprego público (contrato de trabalho em funções públicas a termo) com a Faculdade”.

Sublinhando estar a “proceder a diligências de recolha de informações relevantes” e a colaborar com as autoridades, a Faculdade de Direito admite ainda “intervir se e quando for adequado”, deixando ainda uma garantia sobre o acompanhamento da avaliação dos alunos de Paulo Abreu dos Santos.

“As questões relativas à avaliação dos alunos das disciplinas onde o docente prestava serviço estão a ser devidamente acauteladas no âmbito institucional”, lê-se na nota divulgada, que vem assinada pelo diretor Eduardo Vera-Cruz Pinto.

Advogado terá confessado a juiz que abusou de duas crianças com cerca de dez anos

De acordo com as informações avançadas no fim de semana pela CNN Portugal, o advogado Paulo Abreu dos Santos terá confessado no interrogatório conduzido por um juiz que abusou de duas crianças portuguesas com cerca de dez anos. A Polícia Judiciária (PJ) está a tentar identificar os menores, de modo a que possam ser ouvidos no âmbito do inquérito aberto ao antigo adjunto da ex-ministra socialista da Justiça, Catarina Sarmento e Castro.

Paulo Abreu dos Santos foi indiciado por dois crimes. Segundo o canal televisivo, o adjunto da ex-ministra filmava-se a abusar das crianças. Na sua posse, tinha cerca de 500 ficheiros de pornografia infantil, alguns dos quais vídeos em que o advogado abusava das crianças.

A Polícia Judiciária está a também tentar perceber se Paulo Abreu dos Santos estava em contacto com outros pedófilos portugueses. Os investigadores desconfiam de que o advogado possa estar integrado numa rede de pedofilia nacional.

Paulo Abreu dos Santos, de 38 anos, ficou em prisão preventiva no sábado, após a detenção feita pela Polícia Judiciária (PJ), num inquérito titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

A Polícia Judiciária (PJ) realizou buscas em casa de Paulo Abreu dos Santos — onde foram encontradas provas incriminatórias como vídeos de crimes sexuais contra crianças  — e também na sociedade de advocacia onde trabalhava, o Ana Bruno & Associados.

Paulo Abreu dos Santos terá cometido parte dos crimes relacionados com conteúdos ilegais no seu gabinete no Ministério da Justiça, no qual trabalhou entre 2023 e 2024 como adjunto de Catarina Sarmento e Castro.