O ex-presidente da câmara de Foz Côa, João Paulo Sousa, reiterou esta quarta-feira na audição da Comissão de Agricultura e Pescas que não teve conhecimento de maus tratos animais no canil daquela cidade e que até ao momento apenas dispõe de uma notificação do GNR.

“Até ao dia 2 de setembro, momento em que cessei as minhas funções enquanto presidente da câmara de Vila Nova de Foz Côa, não tive qualquer conhecimento de maus tratos animais no canil municipal e apenas tenho uma notificação da GNR e mais nenhum documento. Não sei o número de animais ou estado em que se encontravam”, afirmou após ser questionado pelo deputado do Chega, Pedro Frazão e pela deputada única do PAN , Inês Sousa Real, sobre alegados maus tratos a animais no canil de Foz Côa.

Perante a Comissão de Agricultura e Pescas, o ex-autarca – que disse ter sido o presidente de Foz Côa que nos últimos 30 anos “mais dedicou à causa animal” – referiu ainda que “trabalha em proximidade com as pessoas, e se alguma vez tivesse conhecimento da situação, como é descrita por entidades e parlamentares, seria evidente que as intervenções necessárias seriam feitas de uma forma muito mais rápidas”.

Em 30 de maio, 73 cães foram resgatados pela GNR do canil municipal de Vila Nova de Foz Côa, “que se encontrava ilegal e sem condições higienossanitárias e de habitabilidade”.

A ação decorreu no âmbito de uma investigação sobre maus-tratos a animais de companhia. Na sequência desta operação foi determinado o resgate e o encaminhamento dos animais para associações de acolhimento, bem como o encerramento do canil, por falta de licenciamento, através do ICNF, e os factos foram remetidos para o Tribunal Judicial de Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda.

Na comissão, o ex-autarca assinalou que, nos seus mandatos, foi pedindo apoio a municípios vizinhos, por dificuldades, sem ter obtido resposta positiva, e que houve várias diligências, ao longo do tempo, para a construção de uma novo canil orçado em 1,7 milhões de euros”.

Já o presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Foz Côa, José Saraiva, que se fez acompanhar por um advogado, disse que não foi a audição parlamentar para ser chamado de criminoso, refugiando-se no segredo de justiça para mais explicações. Admitiu, porém, que o canil estava sobrelotado e que “a junta chegou a apanhar cães errantes porque se formavam matilhas que queriam morder as pessoas”.

Presente esteve também o representante da Intervenção e Resgate Animal (IRA) – entidade que acolheu alguns dos animais resgatados em maio – que acusou a autarquia de “ausência total de cuidados de bem estar animal”, lembrando que “alguns animais morreram depois do resgate”.

“Os senhores falam em que existiria uma certa incapacidade para o número de animais, mas essa mesma incapacidade existe também nas associações zoófilas e posso garantir que mais de 90% delas não tem animais como os do canil: doentes, gravemente feridos, com parasitas”, criticou.

E acrescentou, dirigindo-se aos autarcas visados: “vocês referem-se ao que se passou em Foz Côa, no que toca ao bem estar animal, como erros ou falhas. Não são erros nem falhas,  são crimes que estão previstos na legislação e, por isso, o caso está no Ministério Público”.

Lígia Andrade, da associação Midas, responsável por acolher também alguns dos animais resgatados, também relatou o estado em que os encontrou: “vi animais muito magros, com carências, problemas comportamentais (…) fruto da situação em que viviam”.

Situação corroborada pela terceira associação envolvida, Santuário Vila Boa, com o responsável a falar em “casos extremos” e “cadelas gestantes e animais hiperparasitados”.

Já Inês Sousa Real disse que é importante saber o que se passou no resgate de 73 animais do canil municipal de Vila Nova de Foz Côa, alguns deles à guarda de varias associações.

“Importa agora saber o porquê do espaço não ser legalizáveil continuou a receber e a recolher animais, havendo aqui uma emissão de cumprimento de obrigações por parte das entidades contente relativamente à gestão do canil”, frisou a deputada única do PAN.