Paulo Abreu dos Santos não terá contado com um cúmplice na filmagem de um dos vídeos de alegados abusos sexuais com menores de que é acusado, considera a juíza de instrução. A notícia é avançada pelo jornal Expresso, que escreve que esse entendimento contrasta com o do Ministério Público (MP), que admitia a possibilidade de que o advogado tivesse contado com a colaboração de terceiros para fazer essas gravações.

Segundo o semanário, juíza e Ministério Público estão, no entanto, de acordo sobre um outro ponto dos indícios recolhidos: o suspeito terá integrado 13 grupos fechados das plataformas Signal e Telegram onde eram partilhados e visualizados conteúdos de pornografia infantil. Os canais estavam a ser monitorizados pela Homeland Security Investigation (uma agência federal dos Estados Unidos da América), que alertou a Polícia Judiciária para a presença de números portugueses.

Durante o interrogatório o advogado não terá negado estar na posse de vídeos de pornografia infantil, mas assegurou que não os vendeu nem partilhou com outros. As garantias, diz o Expresso, não convenceram a juíza. A magistrada, acrescenta o mesmo jornal, também não terá ficado convencida quando, no primeiro interrogatório judicial, Paulo Abreu dos Santos assegurou ao tribunal não ter qualquer intenção sexual quando filmou um menor a baixar as calças enquanto lhe acariciava as nádegas.

Casa de culto frequentada por ex-adjunto do Ministério da Justiça investigada pela PJ. Dirigente nega queixas

Paulo Abreu dos Santos, ex-adjunto do Ministério da Justiça, ficou em prisão preventiva este sábado, após a detenção feita pela Polícia Judiciária (PJ) em parceria com o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa. Foram realizadas buscas à sua casa e ao seu escritório de advogados.

O homem está indiciado de mais de 500 crimes de pornografia de menores e dois de abuso sexual de crianças, revelou a Procuradoria-Geral da República (PGR) na terça-feira.