A Semapa vai vender a cimenteira Secil por 1,4 mil milhões de euros, anunciou a empresa da família Queiroz Pereira.

“A Semapa celebrou um acordo vinculativo para a venda de 100% do capital social da Secil à Molins, por um enterprise value de 1,4 mil milhões (mil e quatrocentos milhões de euros)”, diz a empresa em comunicado.

A empresa espera concluir a venda para o primeiro trimestre de 2026, “sujeito às condições habituais para este tipo de transação”.

A Semapa, que também é a principal acionista da Navigator, justifica este meganegócio pela “estratégia de gestão ativa do portefólio, que visa a diversificação industrial e a criação de valor sustentável a longo prazo”. Por isso, indica, “o encaixe permitirá à Semapa acelerar a execução da sua estratégia, investindo em novas avenidas de crescimento e consolidando a sua posição como plataforma de investimento industrial diversificada”.

A Secil é uma cimenteira histórica nacional e agora passará para as mãos espanholas. A Cementos Molins, que emprega mais de sete mil pessoas, indica, em comunicado, que com esta compra “amplia o seu alcance internacional, diversifica as suas fontes de receitas e avança no seu compromisso com a sustentabilidade”. Em particular fortalece a presença na Europa mas “completa a sua expansão geográfica na América Latina com a entrada no Brasil, o único mercado da região onde a Molins não estava ainda presente”.

A Secil tem uma capacidade anual de produção de cimento de cerca de 10 milhões de toneladas e emprega cerca de 2.900 pessoas, com vendas de 740 milhões de euros. A Molins vendeu, em 2024, um total de 1.365 milhões de euros. Os destinos da Molins e da Secil já se cruzaram anteriormente. A Molins chegou a deter uma participação na Cimpor, quando esta cimenteira era disputada por várias empresas. A Molins vendeu essa posição, posteriormente, à Lafarge que foi sua acionista.

A Secil, produtora de cimento que tem a fábrica na Arrábida, está presente em Portugal, Espanha, Tunísia, Líbano, Angola, Cabo Verde e Brasil.

Ao final do dia, a Semapa teve de esclarecer o mercado que a mais-valia com esta venda atingir os 400 milhões de euros, “tendo em conta o valor do investimento financeiro atualmente registado e não auditado e verificando-se as condições previstas nesse acordo”.