Seis vezes em 2022/23, mais seis vezes em 2023/24, mais cinco vezes em 2024/25. Os duelos entre Benfica e Sporting no feminino tornaram-se um hábito nas últimas temporadas nas mais variadas provas nacionais, a começar pela Supertaça e a terminar nas rondas decisivas da Liga e nas decisões da Taça de Portugal. Agora, quase no final do ano civil, os velhos rivais encontravam-se pela primeira vez e numa época que tem sido atípica a vários níveis, dos novos formatos das competições europeias às maiores dificuldades nas partidas internas. Com uma diferença: à semelhança do que tem acontecido nos derradeiros anos, o Benfica teve mais respostas para contrariar os problemas do que o Sporting e o dérbi tinha caráter decisivo para as leoas.

Lúcia foi a alma de uma equipa que nunca desistiu: Benfica esteve duas vezes em desvantagem, recuperou e voltou a ganhar ao Sporting no fim

“Atendendo aos pontos que temos em relação ao nosso adversário, é um jogo importante para nós. Ganhando fica tudo em aberto, fica uma Liga pela frente por disputar mas o que nos prende é fazer um bom jogo, encontrarmo-nos como equipa. Já fizemos jogos com muita qualidade e procuramos essa consistência. Atendendo a que é um grupo novo, estamos a ter algumas oscilações em termos de rendimento e estamos à procura disso mesmo. A chave é sermos consistentes no processo, na forma como temos jogado, durante mais tempo. Se formos coletivamente fortes, acredito que temos grande probabilidade de ferir o Benfica em determinadas debilidades que têm. São três pontos que vão fazer a diferença, vai ser um jogo importante para nós”, frisara Micael Sequeira, técnico de um Sporting que está a fazer uma boa campanha na nova Taça da Europa mas que foi eliminado da Taça de Portugal e chegava com cinco pontos de atraso no Campeonato.

“É continuar o processo, continuar a acreditar no que se tem feito, tentar agarrarmo-nos muito às coisas boas que temos vindo a fazer nos últimos jogos e depois perceber que do outro lado vai estar uma equipa extremamente motivada para conseguir tentar reduzir a desvantagem pontual que leva neste momento. A pressão estará muito mais do lado do Sporting, que tem essa responsabilidade acrescida de não se distanciar ainda mais da nossa liderança. Queremos muito aumentar essa liderança e temos de tentar aproveitar todas as oportunidades. Vimos de seis vitórias consecutivas no Campeonato e iremos à procura da sétima”, salientara Ivan Baptista, treinador de um Benfica que começou a época com uma derrota na final da Supertaça e um nulo com o Racing Power antes de iniciar uma série de triunfos seguintes entre uma presença mais modesta na Liga dos Campeões, com dois empates e quatro derrotas no novo formato da competição.

Era com estes condimentos que chegava o dérbi no Estádio José Alvalade, num regresso da equipa feminina verde e branca ao principal palco do clube para tentar inverter a tendência recente de insucessos frente ao rival, com apenas uma vitória nos últimos sete encontros e uma série recente de três derrotas e um empate diante das encarnadas. Agora, tudo parecia que seria igual: o Benfica foi quase sempre superior, chegou à vantagem, teve várias oportunidades para aumentar o avanço e “matar” o jogo mas acabou por ver ainda o Sporting resgatar um empate nos minutos finais após uma grande penalidade muito contestada pela equipa encarnada. Contas feitas, tudo ficou na mesma – mas o xeque quase mate do hexa ficou perto…

Até foi o Sporting a deixar o primeiro sinal de aviso no jogo, com Daniela Arqués a aproveitar uma jogada trabalhada a partir de um canto para rematar em arco perto do poste da baliza da estreante em encontros da Liga Thaís Lima (9′), mas o Benfica não demorou a assumir as rédeas do jogo, com Lúcia Alves a ter um remate para defesa de Anna Wellmann (11′) antes de um golo anulado a Anna Gasper por fora de jogo no início da jogada (15′) e de um desvio de cabeça de Chandra Davidson após canto que bateu ainda na trave antes de sair (17′). A vantagem dos encarnados parecia inevitável com o passar dos minutos e chegou mesmo pouco depois, com Catarina Amado a subir bem pela direita para fazer o cruzamento desviado de cabeça por Nycole Raysla (21′). Anna Wellmann ainda impediu males maiores como melhor jogadora entre a equipa do Sporting, que chegou ao intervalo com um bom remate de Telma Encarnação para defesa de Thaís Lima (41′).

Na segunda parte, também por mérito das leoas, o jogo começou a ficar mais partido, expondo o Sporting um pouco mais ao risco mas possibilitando outro tipo de chegadas à frente. Carla Armengol teve uma boa chance na sequência de nova defesa de Thaís Lima a remate de Telma Encarnação, Nycole cabeceou isolada na área por cima após cruzamento da esquerda, Chandra Davidson também voltou a ameaçar, Caroline Möller viu Anna Wellmann manter o Sporting ainda na discussão com nova defesa a manter a diferença pela margem mínima e tudo acabou por mudar já nos dez minutos finais, com Carolina Santiago a cair na área num lance com Ucheibe e Catarina Amado e a árbitra a assinalar penálti apesar de ter sido chamada ao VAR. Telma Encarnação não perdoou e fez o empate a três minutos do final, deixando as contas… na mesma.