O dia nem tinha começado da melhor forma. A notícia pode ou não ter um impacto direto no percurso de Cristiano Ronaldo, mediante a decisão de deixar ou não o futebol no final da presente temporada, mas o Al Nassr pode enfrentar um sério problema à permanência na Liga dos Campeões asiática caso consiga chegar a essa qualificação. Razão? A Confederação Asiática de Futebol vai proibir a presença de clubes que tenham o mesmo proprietário em todas as suas competições. Ou seja, conjuntos como a formação de Riade, o Al Ahli ou o Al-Ittihad, que são detidos pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), terão de encontrar um outro modelo como já aconteceu com o Al Hilal, que foi vendido em abril a 70% à Kingdom Holding Company, uma estrutura que é gerida pelo príncipe saudita Alwaleed Bin Talal.
Depois, mais más notícias… por motivos diferentes. A partida entre o Al Nassr e o Neftchi, do Uzbequistão, teve de ser adiada por uma hora tendo em conta o alerta geral emitido em Riade na sequência dos ataques dos houtis à capital saudita com a intenção de atingir o aeroporto internacional de Riade num episódio com duas versões distintas das partes. “As nossas Forças Armadas conseguiram atingir esta noite o Aeroporto Internacional [Rei] Khalid, na capital do inimigo saudita, Riade, com um míssil balístico, e o impacto foi preciso”, referiu o porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, no X. “As explosões que se ouviram deveram-se à interceção e destruição de um míssil balístico. Não houve qualquer impacto em Riade”, assegurou o major-general Turki al-Malki, porta-voz da coligação militar saudita que combate os houtis.
O encontro acabou mesmo por realizar-se, mesmo começando bem depois das 21h15 locais programadas (19h15 em Portugal), e o Al Nassr, sem ter propriamente uma exibição deslumbrante, cumpriu aquele que era o grande objetivo: o primeiro triunfo na Liga dos Campeões asiática depois de um arranque em falso em que foi goleado pelo Al Ain, batendo o Neftchi por 3-1 com golos de Ângelo, Ronaldo e Gofurov (na própria baliza). O português, que já tinha marcado ao Al-Diriyah no regresso da Saudi Pro League após a paragem para seleções, chegou ao 981.º golo, ficando cada vez mais próximo da ambicionada meta dos 1.000.
Apesar disso, e numa partida que contou também com João Félix e Samu Costa como titulares, houve outro gesto que ficou gravado e emocionou todos os adeptos sauditas: Ronaldo acabou numa camisola do Al Nassr, foi ao local que tem as espadas e a palmeira sauditas e beijou o símbolo do país. Mais: no final do encontro, enquanto agradecia aos adeptos pelo apoio para mais uma vitória, o avançado fez questão de pedir um cachecol saudita, ergueu-o e colocou-o ao pescoço enquanto ia continuando a volta de agradecimento. Já na última temporada, depois de uma partida com o Damac a contar para a Saudi Pro League, Ronaldo beijara o símbolo do Al Nassr para gáudio dos adeptos, que se aperceberam do gesto pelas imagens da transmissão.
“Vitória importante. Continuamos a crescer”, destacou depois o jogador de 41 anos nas redes sociais, numa publicação que mereceu agora likes de alguns atuais e antigos companheiros de Seleção como Bruno Fernandes, Diogo Dalot, Francisco Trincão (que também marcou de novo pelo Al Ahli, na vitória diante do Al Wasl do português Rui Vitória), João Mário e Nani. Também as páginas oficiais da Seleção nas redes sociais voltaram a assinalar o golo do número 7. “Ronaldo volta a marcar pelo Al Nassr”, destacou essa publicação, que já antes tinha feito também alusão ao grande desempenho de Trincão com um golo e uma assistência.
A “normalização” depois de todo o terramoto que abalou a Seleção depois do abandono da concentração pelo capitão de Portugal continua em curso e, esta segunda-feira, também Ricardo, antigo internacional que faz agora parte da equipa técnica de Jorge Jesus, se mostrou convicto na capacidade de todas as partes chegarem a um entendimento. “Vai-se tudo resolver de certeza, não há outra solução que não seja convergir no sentido do melhor que possa haver para a Seleção. As pessoas podem pensar de forma diferente em relação a algumas coisas, mas, conversando, se tivermos uma opinião diferente, talvez achemos um ponto em comum”, referiu à agência Lusa, à margem de uma iniciativa da Federação Portuguesa de Futebol em Portimão.
“Durante os últimos 14 dias, o nosso foco foi desportivo, o novo selecionador, as novas metodologias, queremos ganhar a Liga das Nações, foram quatro jogos muito importantes, havia que dar tranquilidade à equipa, foi o que conseguimos, quatro jogos, quatro vitórias. Estamos qualificados e isso é que nos interessava. Estamos a um ponto de garantir o primeiro lugar, era o grande objetivo, foi cumprido. Todos, sem exceção, queremos estar juntos novamente em novembro. O momento exige serenidade e tranquilidade. Estamos todos a sentar-nos à mesa. Há uma grande vontade de termos o nosso capitão de volta, sendo que o trabalho da FPF mostra que é uma vontade coletiva para voltar a um espaço onde diz que se sente feliz”, tinha referido Pedro Proença este sábado, à margem da inauguração do novo campo da AF Porto.
Ainda assim, esse regresso ainda poderá ter de esperar… ou não. Tudo está agora nas mãos da Comissão de Instrução Disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol, que recebeu o processo disciplinar instaurado a Cristiano Ronaldo no passado sábado pela secção não profissional do Conselho de Disciplina da FPF (e que tem “carácter urgente”). Depois de ter assumido o erro, o avançado poderá ver uma eventual pena ser reduzida para metade, o que colocava em causa um quadro entre duas semanas e três meses de suspensão, ficando no entanto por saber se estará apto no início de novembro, quando Jorge Jesus vai anunciar a lista de convocados para os dois últimos jogos da Liga das Nações. “Isso dependerá só do CD, que é um órgão autónomo e fará o trabalho. O que estamos a fazer é preparar o próximo estágio, onde contamos com os 25 jogadores, assim haja condições desportivas”, explicou Pedro Proença na mesma intervenção de sábado.