Por norma, a chegada do clássico é o culminar de um trajeto onde uma equipa se apresenta em melhor fase do que a outra. Ou porque está a jogar bem, ou porque atravessa uma fase de resultados positiva, ou porque tem ascendente quase por estatuto sobre o seu adversário. Em parte, pelo domínio conseguido nos últimos anos, o Benfica parte sempre com vantagem em relação a qualquer adversário no panorama nacional. No entanto, e na discussão do último troféu do ano civil de 2025, os encarnados vinham no pior momento da temporada. Questão? O FC Porto também. Tão ou mais relevante do que a conquista de mais um título, os rivais procuravam em Coimbra um virar de página depois de semanas conturbadas com impacto na época.

Todos os jogos são finais, mas o final continua a ser o mesmo: Benfica “atropela” FC Porto na Luz e continua 100% vitorioso no Campeonato

“A equipa do FC Porto fez várias mudanças de jogadores, e, quando se procura mudar, certamente procura-se mudar para melhor. Também contam com o regresso de um jogador muito importante para eles, que lhes dá muita energia, que é o Tanner Omlid. Reforçaram-se com o Cornelius Hudson, que jogou há uns anos no V. Guimarães, que era o melhor marcador da Liga [2023/24] e que lhes vai dar uma capacidade ofensiva muito grande. São diferentes agora, e da nossa parte é recuperar, para preparar o jogo o melhor possível após a competição europeia, onde jogámos fora. Esperamos um jogo com o FC Porto diferente, mais na perspetiva até individual dos jogadores que têm”, comentara Norberto Alves, treinador do Benfica, no lançamento da final à luz da eliminação da Taça com o Sp. Braga e de outra derrota pesada na Champions, neste caso em Espanha frente ao Gran Canaria no encontro que fechou a primeira fase da competição.

“É muito importante conquistarmos todos os troféus que conseguirmos. Esta Supertaça é diferente por estar a ser jogada em dezembro, quase a meio da época, mas claro quer queremos ganhar, fazer um bom jogo e dar este troféu aos nossos adeptos. Somos uma equipa diferente daquela que começou esta época, por isso uma vitória ia dar-nos muita motivação e permitir-nos-ia mostrar que estamos no caminho certo. Temos de melhorar tudo. Vindos de uma derrota no último jogo contra eles, temos muito a melhorar. Se queremos competir com eles e com os outros adversários diretos, temos de melhorar mas somos uma equipa diferente e queremos mostrar que vamos ter outra presença dentro do campo. Os jogadores novos entrosaram-se muito bem e também querem mostrar que nos vêm ajudar”, destacara Vlad Voytso, internacional português de um FC Porto em transformação depois de uma série de quatro derrotas seguidas quebradas em Queluz na Liga.

Era neste contexto que chegava o segundo clássico da época, depois do “atropelo” do Benfica ao FC Porto na receção aos dragões numa série de quatro triunfos nos últimos cinco jogos para os encarnados e do último triunfo dos azuis e brancos na final da competição contra o rival, em 2024. Agora, a “vingança” da derradeira final chegou com a confirmação da atual supremacia: os campeões não demoraram a chegar a vantagens de dois dígitos, geriram depois o avanço e conquistaram a 16.ª Supertaça da história com o presidente Rui Costa nas bancadas, dobrando o número de troféus do FC Porto e da Ovarense, que se seguem na lista.

O encontro começou com menos pontos do que no último clássico, por mérito da agressividade defensiva das duas equipas e por demérito das baixas percentagens de lançamento que colocavam tudo muito equilibrado nos cinco minutos iniciais com ligeira vantagem do Benfica (9-7). Aaron Broussard estava a ser uma arma fulcral nos encarnados, Tanner Omlid teve uma entrada importante para os dragões – já com Wes Washpun com duas faltas – fazendo o triplo que deu a primeira vantagem aos azuis e brancos (12-11). A reação não tardou, com Justice Sueing a mostrar que está completamente recuperado dos problemas físicos e com o tiro exterior de Betinho Gomes a “aparecer”, colocando com dois triplos a maior diferença no resultado em 21-14 num período que terminou com a vantagem dos campeões nacionais por 13 pontos (31-18) e já com 11 jogadores utilizados, sinal da intensidade que Norberto Alves queria colocar ao longo de toda a partida.

O parcial de 20-6 desde a primeira vantagem do FC Porto, a melhoria das percentagens do tiro exterior e as variadas soluções para contornar a defesa contrária contribuíram para que o Benfica se colocasse em clara vantagem na final, aproveitando também a falta de entrosamento de uma formação azul e branca a fazer uma espécie de segunda pré-temporada. No entanto, os primeiros minutos do segundo período conseguiram ter o condão de reabrir a partida, com um parcial de 8-0 dos dragões a colocar o resultado em 31-25 e a obrigar Norberto Alves a parar o jogo, colocando o poste polaco Aleksander Dziewa mais em jogo a partir de fora para marcar dois triplos e fazer o 37-28. Mais uma vez, e apesar do bom jogo de Jhonathan Dunn, esse foi o momento chave para estancar a reação do FC Porto, com o Benfica a ganhar ao intervalo por 46-36.

O segundo tempo trouxe um FC Porto com outro jogo mais trabalhado no ataque mas sem eficácia na hora do lançamento, o que estendeu a passadeira do Benfica para começar com um parcial de 9-0 para chegar a uma vantagem de 19 pontos que deixava os dragões encostados às cordas com a final quase resolvida (55-36) num terceiro período que fechou com uma vantagem dos encarnados por 68-48, jogando de outra forma em ataque organizado para ir gerindo o avanço que tinha no marcador e beneficiando também do acumular de faltas das principais unidades dos azuis e brancos, que complicavam também as contas de Fernando Sá. As próprias bancadas começavam a “desligar” do jogo, que entrava numa fase mais incaracterística e com os adeptos encarnados já numa festa antecipada pela conquista da Supertaça com um triunfo por 91-65 tendo um festival de lançamentos longos no final que mais uma vez coroou Betinho Gomes aos 40 anos entre um grande regresso à competição de Justice Sueing e uma segunda parte de total domínio de Geno Candrall.