O diretor executivo do SNS, Álvaro Santos Almeida, reconheceu esta quarta-feira a existência de “problemas sérios” no funcionamento do Hospital Fernando da Fonseca, o Hospital Amadora-Sintra. Em declarações aos jornalistas, Santos Almeida declarou que as dificuldades no Amadora-Sintra não são uma realidade exclusiva da quadra festiva e salientou a preparação que foi feita no SNS para colmatar os constrangimentos — o que permitirá mais atividade nos dias de tolerância de ponto.
De visita ao hospital de Gaia, o diretor executivo do SNS sublinhou que as “unidades de saúde estão a assegurar os níveis mínimos de funcionamento”, remetendo para o papel do despacho do Ministério da Saúde, enviado às Unidades Locais de Saúde na semana passada. Segundo este despacho, os hospitais devem garantir profissionais suficientes para poder dar altas nos dias em que foi concedida tolerância de ponto, 24, 26 e 31 de dezembro. “Estamos a responder para assegurar que não temos um período muito longo (…), para não termos cinco dias seguidos sem atividade para além da atividade de urgência“, elaborou.
“Temos uma atividade, hoje [quarta-feira] e sobretudo no dia 26 [sexta-feira], que não é a atividade de fim de semana, é mais do que aquilo que habitualmente se faz aos fins de semana”, assegurou Álvaro Almeida aos jornalistas. Segundo o diretor, “há metade dos profissionais que fazem tolerância no dia 26 e outra metade no outro dia, e dessa forma asseguram alguma atividade normal, alguma atividade de consultas, cirurgias mais prioritárias, consultas agudas”.
Sobre a redução das cirurgias durante esta época de Natal, o diretor-executivo do SNS distinguiu “a redução da atividade que resulta de termos cinco dias de tolerância de ponto, feriados e fim de semana” do facto de “haver unidades, nomeadamente aquelas que já estão no nível três dos planos de contingência, onde os seus planos de contingência nesse nível pressupõem a suspensão da atividade cirúrgica, primeiro da atividade cirúrgica adicional e depois mesmo a atividade cirúrgica base”.
No primeiro caso, Álvaro Almeida disse que a primeira atividade que é reduzida “é a atividade programada não prioritária”, havendo “uma série de cirurgias não prioritárias que não vão ser realizadas”, até porque “a maior parte das unidades já não tinham programado cirurgias para o dia 26, porque é uma época em que as pessoas não gostam de ter cirurgias”, apontou.
Álvaro Almeida Santos tem visitado vários hospitais pelo país mas explicou aos jornalistas que a visita ao hospital de Gaia foi feita durante a véspera de Natal para compreender como a tolerância de ponto está a afetar o funcionamento dos serviços e também para agradecer aos profissionais de saúde que asseguram esses mesmos serviços, ainda que reduzidos, durante a quadra festiva.
Questionado sobre os efeitos da tolerância de ponto no Amadora-Sintra, onde se registam longos tempos de espera nas urgências, o diretor executivo argumentou que esse hospital tem “problemas sérios por várias razões“: em primeiro lugar, porque se trata de uma ULS em que cerca de um terço da população não tem médico de família, o que leva as pessoas a procurar as urgências no lugar dos cuidados primários. Por outro lado, apontou o facto de “o hospital [ter sido] concebido para servir uma população muito inferior aquela que atualmente serve”. A estas condicionantes soma-se ainda o facto de o país estar próximo do pico da época da gripe, destacou.
Com a tolerância de ponto concedida pelo Governo esta quarta-feira, o Hospital Amadora-Sintra é um dos vários por todo o país que acionou o plano de contingência e alertou para possíveis constrangimentos. Em particular, as urgências de Ginecologia/Obstetrícia estarão condicionadas nos dias 24 e 25 de dezembro.
Notícia atualizada às 13h25 com mais declarações de Álvaro Almeida