O antigo primeiro-ministro da Malásia Najib Razak foi esta sexta-feira condenado num caso de corrupção financeira envolvendo um fundo de dinheiro público, de acordo com a Associated Press. O Tribunal Superior de Kuala Lampur considerou Razak, líder do governo entre 2009 e 2018, culpado de todos os crimes de que era acusado: 21 de lavagem de dinheiro e quatro de abuso de poder.
As autoridades malaias acreditam que o antigo líder do governo desviou para as suas contas pessoais uma quantia superior a 59,5 milhões de euros proveniente do fundo público 1MDB. O político de 72 anos negou ser responsável por qualquer irregularidade e disse que os fundos em causa tinham sido uma doação política do regime da Arábia Saudita. Além disso, alegava ter sido enganado por um grupo de pessoas ligadas às finanças, liderado por Low Taek Jho cujo paradeiro não é conhecido.
O juíz Collin Lawrence Sequerah disse que a alegação de Najib sobre uma doação saudita é “inacreditável” e que as quatro cartas supostamente enviadas pelo doador saudita eram falsas. As verbas tinham claramente origem no fundo 1MDB, garantiu. “O arguido não era nenhum campónio ignorante”, disse Sequerah. “Qualquer tentativa de retratar o arguido como um ignorante que desconhecia completamente os crimes que se passavam à sua volta está, portanto, condenada ao fracasso.”
Desde 2022, Razak cumpre uma pena de prisão após ter sido condenado num primeiro julgamento referente ao escândalo do fundo 1Malaysia Development Berhad (1MDB). Depois de ter perdido as eleições legislativas em 2018 devido a este caso, o antigo primeiro-ministro foi condenado, em 2020, a uma pena de prisão de 12 anos. Ainda não é conhecida a pena resultante da condenação desta sexta-feira.
O ex-líder malaio pediu desculpas pelo escândalo 1MDB durante o mandato, mas mantém que não tinha conhecimento das transferências ilegais provenientes do fundo agora dissolvido. Se for considerado culpado esta sexta-feira por novas acusações, Najib Razik corre o risco de receber uma pena consideravelmente mais pesada.
O desvio de centenas de milhões de dólares do fundo 1MDB para despesas privadas, como um iate gigante ou obras de arte, foi determinante na derrota nas eleições legislativas de 2018 de Najib Razak e do seu partido, a Organização Nacional Unificada da Malásia (Umno), no poder desde a independência da ex-colónia britânica em 1957.
O escândalo desencadeou investigações nos Estados Unidos, na Suíça e em Singapura, cujos sistemas financeiros foram utilizados para branquear o dinheiro. Os bancos JPMorgan Chase, Edmond de Rothschild e um antigo banqueiro da Goldman Sachs foram condenados neste caso.